O que se pode falar sobre um livro que virou filme de sucesso?
Simples: o livro é mais interessante que o filme!
Certa feita, tive um namorado aficcionado por cinema. Nossa discussão mais básica, repetida em todos os momentos em que o assunto de conversas acabava (o que era bastante raro, mas acontecia), era comparar livros e filmes (filmes adaptados de livros, bem entendido), eu sempre defendendo os livros, ele sempre defendendo os filmes.
Tudo começou com O ILUMINADO, história de suspense de Stephen King, filme do diretor Stanley Kubrik. Até aqui, nenhuma novidade. Acredito que a polêmica, "livro ou filme?", não exista sem antes passar por essa discussão clássica, já que Kubrik reinterpretou o livro de Stephen King, suprimiu o elemento psicológico que perfazia o suspense, e o substituiu por efeitos visuais de impacto construindo um filme de terror, contando ainda com mais uma atuação marcante e magistral de Jack Nicholson, o que foi motivo de controvérsias que duram até hoje. E jogando a modéstia na lata de lixo, nós fazíamos uma excelente dupla para tal discussão: ele era fã dos trabalhos de Kubrik, e o defenderia até debaixo d'água. Em compensação, eu detestei esta versão cinematográfica, que excluiu tudo o que eu mais gostava no suspense e na narrativa do livro.
Lembrei disto hoje, quando fui procurar mais algum livro interessante prá conversar aqui no blog, usufruindo tranquila do primeiro dia deste feriado prolongado. Olhei uma prateleira inteira só de livros de humor... e me perguntei porque gosto de ler livros de humor, mas não sinto necessidade de escrever sobre eles! Olhei os vários títulos da Marian Keyes, inclusive o Melancia e Férias, meus prediletos. Olhei autores diversos, livros diversos, sem saber o quê escolher. Talvez as piadas sempre fiquem melhores, quando são lidas no original. Escrever sobre livros de humor, significa também fazer rir? Não sei! Só sei que essa é uma frustração pessoal, não saber escrever humor, ou não fazê-lo com facilidade. É um dom que admiro (e também invejo...) em outros escritores.
Então escolhi MARLEY & EU, VIDA E AMOR AO LADO DO PIOR CÃO DO MUNDO, escrito por John Grogan, lembrando da antiga diversão de discutir com o namorado: o livro é melhor que o filme. Quem gostou do filme, devia ler o livro. Ou como fiz: li o livro, depois assisti o filme.
Qual a diferença?
Há muito mais passagens no livro, que não foram filmadas. O filme nos leva às lágrimas, expurgando a dor de perder um animal que é mais que um bicho de estimação, é parte da família e das nossas vidas.
Mas o livro é hilariante, e conta mais da vida de Marley e das inúmeras peripécias que aprontou. Não muito diferente do que fazem nossos próprios cachorros, só que levado a extremos e contados com bom humor. É um livro que causa empatia a qualquer pessoa que já teve um cachorro na vida, porque fala daquele sentimento tão humano, que nos faz amar mais aos defeitos de alguém, do que por suas virtudes. Porque, pensemos: qual a vantagem em amar algo ou alguém, que é e faz tudo do jeito que queremos?
Marley nos fala dos amores difíceis, aqueles em que aprendemos a amar alguém por aquilo que realmente é, e não por aquilo que nos agrada. Dos amores únicos, individuais, que não podem ser substituídos. E ainda, como qualquer bom escritor lhe diria, que felicidade não constrói histórias, e sobre como, de fato, amamos a singularidade e a superação, que pode estar tão próxima, dentro de nossas casas, acontecendo a cada dia.
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quinta-feira, 28 de março de 2013
ABANDONADA NO CAMPO DE CENTEIO, de Joyce Maynard
Os apreciadores de O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger que me desculpem... Mas, antes de me sacrificar e jogar tomates e ovos podres, compreendam: isso só me aconteceu três únicas vezes, na vida!
Era apenas uma adolescente que gostava de ler, mal saída das Reinações de Narizinho do Monteiro Lobato, quando papai me disse que precisava ler A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Acontece que ele só disse isso: que o livro era "importante", e que eu deveria ler.
Como uma boa filha obediente, emprestei o livro na biblioteca, e sem nenhum preparo prévio, eu li... oras... li uma historinha de criança cheia de bichinhos falantes, sem fazer idéia do porquê meu pai tinha dito que o tal livro era "importante"!
Tudo bem, claro que depois eu pesquisei, por nada deste mundo reconheceria a meu pai que li o livro e não entendi (jamais!), e então compreendi (vagamente, na época) o que era uma crítica, e o que era o sistema comunista, na visão do autor.
Muitos e muitos anos depois, adulta e apaixonada por livros, aconteceu de novo: foi a vez do meu sócio perguntar se já tinha lido O Apanhador no Campo de Centeio, de Salinger.
Inocentemente, respondi que "não", e ele abismado respondeu: mas é um clássico! Não acredito que não o leu!.
Imediatamente, pegou um volume que estava ali perto, e sem maiores explicações, o emprestou para que eu o lesse. O livro não tinha sequer uma orelhinha básica, para que tivesse ídéia do que se tratava. Mas, constrangida, comecei a ler assim mesmo. E sem saber o que lia, engoli página depois de página, de um texto que parecia jamais sair do lugar! Claro que, como da primeira vez, depois fui procurar porque o livro era "importante". Foi mais fácil de encontrar, pesquisei na internet. Mas desta feita, confesso que o mal estava perpetrado: continuei achando Holden Caulfield, o personagem adolescente protagonista do romance, o aborrecente narcisita mais chato que já tinha conhecido.
Por isso, ler ABANDONADA NO CAMPO DE CENTEIO, MEU CASO DE AMOR COM J. D. SALINGER, de Joyce Maynard, teve lá o seu gostinho de vingança!
Escrito por uma ex namorada de Salinger, revela algumas esquisitices do autor, bem como algum rancor do relacionamento frustrado. Respeitado como um livro autobiográfico, traz algumas fotos da autora, de sua família e da convivência com o escritor. O texto tem uma linguagem confessional, e Joyce não omite que escreveu, em parte, como uma forma de terapia, partilhando suas memórias como uma maneira de superá-las.
É como espiar a vida alheia pelo buraco de uma fechadura antiga. Olhando de perto ninguém é normal, e aqueles bafejados pela fama parecem ainda mais vulneráveis. O livro, escrito quase vinte anos depois do caso ocorrido, causou interesse porque Salinger é considerado um recluso, de quem pouco se conhece da intimidade. No fim, é a história de uma grande paixão... que não deu certo. Conta o livro que Joyce tinha dezoito anos, quando de seu relacionamento com um Salinger "cinquentão".
Mas, seja como for, minha humilde opinião é que, neste caso, a vida real pareceu mais divertida do que a ficção. E Salinger, ele mesmo um personagem "real" mais interessante, do quê aqueles que criou em sua imaginação.
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| Joyce, em foto de 1972. |
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| Salinger aos 44 anos. |
BERTHA, SOPHIA E RACHEL, de Isabel Vincent
O tráfico de mulheres é assunto discutido no momento, graças a uma novela em horário nobre, que já deve estar quase no final. Esta novela, não acompanhei, mas fala do tráfico de brasileiras para a Europa. Porém, a questão é antiga. Acredito, exista em todo lugar.
E o comércio começou na rota inversa, ou pelo menos foi esta a conclusão que tirei, depois de ler BERTHA, SOPHIA E RACHEL, A SOCIEDADE DA VERDADE E O TRÁFICO DE POLACAS NAS AMÉRICAS, de Isabel Vincent (leio com tradução de Alexandre Martins, na edição de 2006 da Editora Relume Dumará).
É um livro para começar a ler, já nos agradecimentos.
Vale dizer que nunca pulo os agradecimentos de um livro, já que muitos deles contém informações curiosas sobre o processo de criação de um livro. Lembro de um, em que os agradecimentos estenderam-se ao senhorio, que permitiu que o escritor morasse com os aluguéis atrasados, aguardando a entrega do texto à editora para que tivesse dinheiro suficiente para quitar o débito. Realmente importante, pois lembra quantas vezes os gênios das letras se escondem por trás de rostos humildes e cheios de dificuldades financeiras... Esposas que agradecem a paciência dos maridos, não só relegados a segundo plano, como fazendo às vezes do trabalho doméstico, enquanto o livro é produzido. Sei bem o que é isso: escrever nos tira da realidade, e como é difícil voltar do mundo da fantasia e das letras, para assumir novamente um cotidiano rotineiro!
Em BERTHA, os agradecimentos informam a longa jornada da escritora, cinco anos de pesquisas onde a maior dificuldade foi "... convencer as pessoas a falar abertamente sobre as polacas, as prostitutas da Europa Oriental". E acredite: o tráfico de mulheres européias, para prostituição na Argentina e Brasil, foi pesquisado por uma premiada escritora canadense (!), e pelo que consegui deduzir cruzando informações das orelhas, agradecimentos e prefácios, é que sua pesquisa inicia na história judaica (foi vencedora do Premio Canadian Jewish Book Awards en 2005, como melhor livro de história judaica). Um verdadeiro trabalho internacional: uma escritora canadense, pesquisando a história de mulheres polonesas, que viveram seus dramas e tragédias na América do Sul.
Embora seja um livro biográfico, a autora tem uma narrativa com "som" ficcional. É uma biografia, ao mesmo tempo é um romance. A vida real surpreende. Conta a história da Sociedade da Verdade, uma associação de mulheres, jovens judias de origem humilde que foram forçadas à prostituição por uma associação conhecida como Zwi Migdal (composta por judeus e dedicada ao tráfico de mulheres), depois de trazidas ao Brasil por cafetões internacionais. Uma união criada depois de uma vida de desventuras, para que elas pudessem assistir umas às outras na doença ou na morte, e sobretudo, recuperar o conforto dos rituais religiosos que a excluíram, lutando sozinhas por resquícios de dignidade.
Isabel pesquisou a vida de três mulheres: BERTHA, fundadora e presidente da Sociedade da Verdade, SOPHIA, vendida pelo próprio pai aos 13 anos de idade, e RACHEL, forçada á prostituição pelo próprio marido. Mulheres nascidas pobres e judias, nos guetos urbanos e shtels rurais da Polônia do início do século XX. Como acontece até hoje, viajaram iludidas com falsos empregos e falsos casamentos, para serem despachadas para prostíbulos que se entendiam pela América Latina, África do Sul, Índia e Nova York. Consideradas impuras, essas mulheres eram desprezadas até por seu próprio povo, não podiam compartilhar as sinagogas ou cemitérios dos judeus estabelecidos que encontravam nestes países de destino. Depois de longo e difícil trajeto, a vida traz BERTHA, SOPHIA E RACHEL para o Rio de Janeiro, onde finalmente conseguem alguma autonomia - embora já desprezadas por todos -, e então criam, sozinhas e com muito esforço e perseverança, a Sociedade da Verdade.
O livro tem, ainda, oito fotos antigas: duas lápides no cemitério de Inhaúma/RJ, a porta de entrada e uma foto do interior da sinagoga das prostitutas, e onde funcionava o escritório da Sociedade da Verdade. Três fotos antigas e raras das primeiras diretoras da Sociedade da Verdade, uma foto da sala de tahara no cemitério de Inhaúma/RJ, onde o corpo das prostitutas judias eram lavados na mesa de mármore, de acordo com o ritual de purificação judaica, antes de serem enterradas. Gosto de fotos antigas. Queria mais.
Como a história baseou em grande parte, em entrevista e livros raros, vale a pena conferir também as notas no final do texto. São curiosos, estes romances biografados: ainda não me acostumei a ler uma história e, ao final, encontrar os apontamentos como fosse uma monografia acadêmica. Escolhi ler as notas depois de ler o livro, para não perder o ritmo da narrativa. Foi interessante, porque quase acabei lendo duas vezes, voltando para conferir onde as notas se encaixavam na história, resultando na visão dúplice da mesma história: uma ficção, e uma realidade.
Detalhe para a capa: é uma ilustração de Lasar Segall, Duas Mulheres do Mangue (1925/28), tinta preta a pena e aquarela, 24x48 cm. O original está na Coleção Museu Lasar Segall. A obra remete à mesma época em que se passa a história, um detalhe de pura classe!
E o comércio começou na rota inversa, ou pelo menos foi esta a conclusão que tirei, depois de ler BERTHA, SOPHIA E RACHEL, A SOCIEDADE DA VERDADE E O TRÁFICO DE POLACAS NAS AMÉRICAS, de Isabel Vincent (leio com tradução de Alexandre Martins, na edição de 2006 da Editora Relume Dumará).
É um livro para começar a ler, já nos agradecimentos.
Vale dizer que nunca pulo os agradecimentos de um livro, já que muitos deles contém informações curiosas sobre o processo de criação de um livro. Lembro de um, em que os agradecimentos estenderam-se ao senhorio, que permitiu que o escritor morasse com os aluguéis atrasados, aguardando a entrega do texto à editora para que tivesse dinheiro suficiente para quitar o débito. Realmente importante, pois lembra quantas vezes os gênios das letras se escondem por trás de rostos humildes e cheios de dificuldades financeiras... Esposas que agradecem a paciência dos maridos, não só relegados a segundo plano, como fazendo às vezes do trabalho doméstico, enquanto o livro é produzido. Sei bem o que é isso: escrever nos tira da realidade, e como é difícil voltar do mundo da fantasia e das letras, para assumir novamente um cotidiano rotineiro!
Em BERTHA, os agradecimentos informam a longa jornada da escritora, cinco anos de pesquisas onde a maior dificuldade foi "... convencer as pessoas a falar abertamente sobre as polacas, as prostitutas da Europa Oriental". E acredite: o tráfico de mulheres européias, para prostituição na Argentina e Brasil, foi pesquisado por uma premiada escritora canadense (!), e pelo que consegui deduzir cruzando informações das orelhas, agradecimentos e prefácios, é que sua pesquisa inicia na história judaica (foi vencedora do Premio Canadian Jewish Book Awards en 2005, como melhor livro de história judaica). Um verdadeiro trabalho internacional: uma escritora canadense, pesquisando a história de mulheres polonesas, que viveram seus dramas e tragédias na América do Sul.
Embora seja um livro biográfico, a autora tem uma narrativa com "som" ficcional. É uma biografia, ao mesmo tempo é um romance. A vida real surpreende. Conta a história da Sociedade da Verdade, uma associação de mulheres, jovens judias de origem humilde que foram forçadas à prostituição por uma associação conhecida como Zwi Migdal (composta por judeus e dedicada ao tráfico de mulheres), depois de trazidas ao Brasil por cafetões internacionais. Uma união criada depois de uma vida de desventuras, para que elas pudessem assistir umas às outras na doença ou na morte, e sobretudo, recuperar o conforto dos rituais religiosos que a excluíram, lutando sozinhas por resquícios de dignidade.
Isabel pesquisou a vida de três mulheres: BERTHA, fundadora e presidente da Sociedade da Verdade, SOPHIA, vendida pelo próprio pai aos 13 anos de idade, e RACHEL, forçada á prostituição pelo próprio marido. Mulheres nascidas pobres e judias, nos guetos urbanos e shtels rurais da Polônia do início do século XX. Como acontece até hoje, viajaram iludidas com falsos empregos e falsos casamentos, para serem despachadas para prostíbulos que se entendiam pela América Latina, África do Sul, Índia e Nova York. Consideradas impuras, essas mulheres eram desprezadas até por seu próprio povo, não podiam compartilhar as sinagogas ou cemitérios dos judeus estabelecidos que encontravam nestes países de destino. Depois de longo e difícil trajeto, a vida traz BERTHA, SOPHIA E RACHEL para o Rio de Janeiro, onde finalmente conseguem alguma autonomia - embora já desprezadas por todos -, e então criam, sozinhas e com muito esforço e perseverança, a Sociedade da Verdade.
O livro tem, ainda, oito fotos antigas: duas lápides no cemitério de Inhaúma/RJ, a porta de entrada e uma foto do interior da sinagoga das prostitutas, e onde funcionava o escritório da Sociedade da Verdade. Três fotos antigas e raras das primeiras diretoras da Sociedade da Verdade, uma foto da sala de tahara no cemitério de Inhaúma/RJ, onde o corpo das prostitutas judias eram lavados na mesa de mármore, de acordo com o ritual de purificação judaica, antes de serem enterradas. Gosto de fotos antigas. Queria mais.
Como a história baseou em grande parte, em entrevista e livros raros, vale a pena conferir também as notas no final do texto. São curiosos, estes romances biografados: ainda não me acostumei a ler uma história e, ao final, encontrar os apontamentos como fosse uma monografia acadêmica. Escolhi ler as notas depois de ler o livro, para não perder o ritmo da narrativa. Foi interessante, porque quase acabei lendo duas vezes, voltando para conferir onde as notas se encaixavam na história, resultando na visão dúplice da mesma história: uma ficção, e uma realidade.
Detalhe para a capa: é uma ilustração de Lasar Segall, Duas Mulheres do Mangue (1925/28), tinta preta a pena e aquarela, 24x48 cm. O original está na Coleção Museu Lasar Segall. A obra remete à mesma época em que se passa a história, um detalhe de pura classe!
terça-feira, 26 de março de 2013
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, de Aldous Huxley
Você sabia que Aldous Huxley morreu em 22 de novembro de 1963, o mesmo dia em que John F. Kennedy foi assassinado?
Para mim, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO é um livro de leitura obrigatória.
Não só por ser um dos livros da clássica "trilogia" da ficção científica com ares proféticos sobre os rumos da nossa civilização pós guerra (lembrando: são eles Admirável Mundo Novo/A. Huxley, que antecipou a obsessão pela idéia da felicidade como um direito comum, escrevendo sobre uma sociedade futurista onde as pessoas vivem em ambientes totalmente artificiais, com suas ações e emoções controladas e manipuladas através de remédios e/ou drogas, para que se sintam eternamente felizes... e dependentes. Fahrenheit 451/Ray Bradbury, que antecipou a massificação da educação e cultura, escrevendo sobre uma sociedade futurista onde os livros são proibidos, o pensamento crítico é suprimido, e os bombeiros agora são responsáveis por caçar e queimar livros porventura escondidos à revelia das leis, pois a ignorância é considerada uma benção, uma virtude. E 1984/George Orwell, que antecipou a invasão de privacidade dos modernos controles do Estado totalitário e da mídia, escrevendo sobre uma sociedade futurista dominada pelo Big Brother/grande irmão, a televisão que invade a privacidade de cada um e manipula a totalidade das informações fornecidas para todos, mudando a história a seu bel prazer).
Também não por ser um livro relativamente pequeno, de linguagem simples e leitura agradável, e fácil de encontrar. Hoje leio por uma edição de bolso, publicada em 2009 pela Editora Globo, com tradução Lino Vallandro e Vidal Serrano. Mas já tive pelo menos outros dois ou três livros, de outras edições, que dei de presente para alguém que se interessou, mais tarde substituí por um novo volume para mim.
Considero como leitura obrigatória, sim, pela quantidade de vezes que já ouvi referências e/ou citações ao ADMIRÁVEL MUNDO NOVO! em que vivemos hoje, por pessoas que visivelmente não sabem do quê estão falando e nunca leram o livro!
Como constatar isso?
Muito simples!
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO é uma crítica ferina, uma ironia expressa, uma exposição na forma ficcional do desprezo do autor pela facilidade com que as pessoas, agindo como uma "massa humana", submetem-se voluntariamente à manipulação e vivem felizes na ilusão. Este é o livro de leitura obrigatória, para qualquer pessoa que, algum dia, observou que todas as tragédias da história conhecida, movidas pela mão e pela vontade humana, começaram com alguém afirmando que "queria-um-mundo-melhor"... Em ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, a sanidade mental só existe no Selvagem e nos Exilados, aqueles que aceitaram as agruras de viver à margem da sociedade estabelecida, sem direitos e sem cidadania, mas de forma natural. Na cidade, porém, todos submetem-se regularmente à somma, uma droga que mantém artificialmente a sensação de felicidade, e rituais que substituem a religião, a interação pessoal e até mesmo o sexo.
Apesar disso, a quase totalidade das vezes que encontrei, em matérias recentes, citam o tal "admirável mundo novo" como se o livro fosse algum tipo de ode à modernidade, como se o texto glorificasse a sociedade tecnológica de consumo! Então leio... leio de novo... e não sei se caio na gargalhada ou choro com pena da ignorância, de alguém que opina sobre um livro que nunca leu, nem mesmo sabe do quê se trata!
Para mim, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO é um livro de leitura obrigatória.
Não só por ser um dos livros da clássica "trilogia" da ficção científica com ares proféticos sobre os rumos da nossa civilização pós guerra (lembrando: são eles Admirável Mundo Novo/A. Huxley, que antecipou a obsessão pela idéia da felicidade como um direito comum, escrevendo sobre uma sociedade futurista onde as pessoas vivem em ambientes totalmente artificiais, com suas ações e emoções controladas e manipuladas através de remédios e/ou drogas, para que se sintam eternamente felizes... e dependentes. Fahrenheit 451/Ray Bradbury, que antecipou a massificação da educação e cultura, escrevendo sobre uma sociedade futurista onde os livros são proibidos, o pensamento crítico é suprimido, e os bombeiros agora são responsáveis por caçar e queimar livros porventura escondidos à revelia das leis, pois a ignorância é considerada uma benção, uma virtude. E 1984/George Orwell, que antecipou a invasão de privacidade dos modernos controles do Estado totalitário e da mídia, escrevendo sobre uma sociedade futurista dominada pelo Big Brother/grande irmão, a televisão que invade a privacidade de cada um e manipula a totalidade das informações fornecidas para todos, mudando a história a seu bel prazer).
Também não por ser um livro relativamente pequeno, de linguagem simples e leitura agradável, e fácil de encontrar. Hoje leio por uma edição de bolso, publicada em 2009 pela Editora Globo, com tradução Lino Vallandro e Vidal Serrano. Mas já tive pelo menos outros dois ou três livros, de outras edições, que dei de presente para alguém que se interessou, mais tarde substituí por um novo volume para mim.
Considero como leitura obrigatória, sim, pela quantidade de vezes que já ouvi referências e/ou citações ao ADMIRÁVEL MUNDO NOVO! em que vivemos hoje, por pessoas que visivelmente não sabem do quê estão falando e nunca leram o livro!
Como constatar isso?
Muito simples!
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO é uma crítica ferina, uma ironia expressa, uma exposição na forma ficcional do desprezo do autor pela facilidade com que as pessoas, agindo como uma "massa humana", submetem-se voluntariamente à manipulação e vivem felizes na ilusão. Este é o livro de leitura obrigatória, para qualquer pessoa que, algum dia, observou que todas as tragédias da história conhecida, movidas pela mão e pela vontade humana, começaram com alguém afirmando que "queria-um-mundo-melhor"... Em ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, a sanidade mental só existe no Selvagem e nos Exilados, aqueles que aceitaram as agruras de viver à margem da sociedade estabelecida, sem direitos e sem cidadania, mas de forma natural. Na cidade, porém, todos submetem-se regularmente à somma, uma droga que mantém artificialmente a sensação de felicidade, e rituais que substituem a religião, a interação pessoal e até mesmo o sexo.
Apesar disso, a quase totalidade das vezes que encontrei, em matérias recentes, citam o tal "admirável mundo novo" como se o livro fosse algum tipo de ode à modernidade, como se o texto glorificasse a sociedade tecnológica de consumo! Então leio... leio de novo... e não sei se caio na gargalhada ou choro com pena da ignorância, de alguém que opina sobre um livro que nunca leu, nem mesmo sabe do quê se trata!
domingo, 24 de março de 2013
ANGEOLOGIA, de Danielle Trussoni
A primeira vez que vi o livro ANGEOLOGIA, O CONHECIMENTO DOS ANJOS, romance de Danielee Trussoni (na tradução de Paulo Afonso, Ed Suma de Letras, 2010), o segmento da autoajuda havia inundado as prateleiras com uma sucessão de títulos sobre "anjos", sempre vistos como os benéficos protetores divinos a que cada um de nós supostamente teria direito...
Sou daquelas pessoas que acredita que o otimismo é uma necessidade para a sanidade mental, que considera o senso de humor uma qualidade louvável e desejada... mas o tal do "pensamento positivo" anunciado nos conceitos da Nova Era nunca funcionou para mim. Talvez porque a idéia de perfeição, nas várias descrições que já me foram feitas no decorrer de uma vida, cause um certo repúdio, como se não fosse normal, tampouco desejável no contexto humano. Seja como for, o fato é que deixei o livro prá lá, e lembro que o troquei pelo volume do SEPULCRO (Kate Mosse), outro livro sensacional que em algum momento venho contar aqui. Não queria ler sobre como anjinhos são bonitinhos & perfeitinhos, entende?
Mas semana passada, fui espiar vitrine do sebo. É um dos meus passeios favoritos, há duas lojas grandes perto do meu escritório, que reúnem zilhões de livros novos e usados, revistas, CDs e DVDs, e ambas dirigidas por gente que entende do assunto, e que fazem seleções bem interessantes. Gosto, inclusive, de comparar o que está exposto nas livrarias, com o que apresentam os sebos. Nas livrarias, existe o interesse maior das editoras nos lançamentos e investimentos, então podemos assistir para onde dirigem a nossa atenção. Nos sebos, é diferente: são lojas que possuem público local, com interesses específicos, o cliente é quem manda, e nem sempre seus interesses são similares àqueles destacados nas livrarias. Por isso, enquanto espero a mudança da tendência que neste começo de ano inundou as livrarias com uma enormidade de títulos muito parecidos, não sei quantos tons de cinza dos mais diversos autores falando de submissão sexual feminina supostamente eróticos, e outro tanto de livros dos gurus da autoestima de vendedores e gerentes, prefiro passear pelos sebos, que trazem diversidade.
Minha rotina é sempre a mesma: olho os livros em destaque nas vitrines e expositores, depois olho o balcão das ofertas. E se nada encontrar, só então passo pelas prateleiras de literatura, arte e psicologia, não necessariamente nesta ordem. ANGELOLOGIA, desta feita encontrei no balcão das ofertas, a um preço tão razoável, que valia a pena comprar mesmo que fosse apenas para confirmar a primeira impressão, e afinal guardar na estante depois de ler poucas páginas. Isso acontece, às vezes... Acho que estou com pelo menos uns cinco livros nesta condição, hoje: um Humberto Eco empacado, um livro sobre blogs de sucesso que folheei e não li nem dez páginas, pelo menos dois clássicos que fiquei com preguiça de continuar, e um título sobre como falar em público, interessante para ler devagar... e estou lendo BEM devagar!
Trouxe então o ANGEOLOGIA para casa... e adorei! Afirma orelha e prefácios que há pesquisa precedente da autora, Danielle Trussoni, para embasar a ficção que escreve sobre os anjos caídos, e a raça dos Nefilins (ou Gigantes, como são traduzidos nas Bíblias em português), a raça híbrida de filhos dos anjos caídos que conceberam com mulheres humanas. Não tenho como opinar sobre o assunto, pouco conheço dos estudos medievais de angeologia.
A história se desenrola a partir de um grupo de angeólogos, estudiosos com origem medieval, que operam na vida privada e estudam à sombra de conventos e mosteiros, sem reconhecimento oficial. E a partir da teoria conspiratória de que os híbridos, capazes de viver por séculos, misturados aos humanos teriam se constituído como famílias poderosas, capazes de influenciar a história humana.
Assim, os anjos de Danielle Trussoni estão muito longe da imagem de perfeição e proteção que imaginei encontrar. Ao contrário, os Nefilins de sua imaginação são quase monstros de perfeita e divina beleza, vivendo entre humanos conquanto híbridos frios, assassinos e decadentes. Danielle deixa tênue a linha divisória entre o bem e o mal, algo que acho notável em qualquer fantasia. Seus híbridos não são totalmente maus, são mais narcisistas poderosos. Seus humanos não são totalmente bons. Tampouco são os heróicos idiotas como tanto se vê naquelas ficções que tentam definir o bem e o mal de forma absoluta, personagens que se tornam heróis porque não tiveram tempo de fugir como todos os outros, e ganharão a batalha final por sorte ou intervenção de alguém que, afinal, sabia o que fazia ali...Danielle consegue fugir dos dois estereótipos.
Neste contexto, respeitadas as diferenças, ANGEOLOGIA lembra o ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (Aldous Huxley), na medida em que corrompe a idéia da perfeição até transformá-lo na própria maldade e manipulação mesquinha.
Achei na internet, uma sinopse bem interessante sobre o livro. Vou colar aqui:
http://www.skoob.com.br/livro/115862
Sou daquelas pessoas que acredita que o otimismo é uma necessidade para a sanidade mental, que considera o senso de humor uma qualidade louvável e desejada... mas o tal do "pensamento positivo" anunciado nos conceitos da Nova Era nunca funcionou para mim. Talvez porque a idéia de perfeição, nas várias descrições que já me foram feitas no decorrer de uma vida, cause um certo repúdio, como se não fosse normal, tampouco desejável no contexto humano. Seja como for, o fato é que deixei o livro prá lá, e lembro que o troquei pelo volume do SEPULCRO (Kate Mosse), outro livro sensacional que em algum momento venho contar aqui. Não queria ler sobre como anjinhos são bonitinhos & perfeitinhos, entende?
Mas semana passada, fui espiar vitrine do sebo. É um dos meus passeios favoritos, há duas lojas grandes perto do meu escritório, que reúnem zilhões de livros novos e usados, revistas, CDs e DVDs, e ambas dirigidas por gente que entende do assunto, e que fazem seleções bem interessantes. Gosto, inclusive, de comparar o que está exposto nas livrarias, com o que apresentam os sebos. Nas livrarias, existe o interesse maior das editoras nos lançamentos e investimentos, então podemos assistir para onde dirigem a nossa atenção. Nos sebos, é diferente: são lojas que possuem público local, com interesses específicos, o cliente é quem manda, e nem sempre seus interesses são similares àqueles destacados nas livrarias. Por isso, enquanto espero a mudança da tendência que neste começo de ano inundou as livrarias com uma enormidade de títulos muito parecidos, não sei quantos tons de cinza dos mais diversos autores falando de submissão sexual feminina supostamente eróticos, e outro tanto de livros dos gurus da autoestima de vendedores e gerentes, prefiro passear pelos sebos, que trazem diversidade.
Minha rotina é sempre a mesma: olho os livros em destaque nas vitrines e expositores, depois olho o balcão das ofertas. E se nada encontrar, só então passo pelas prateleiras de literatura, arte e psicologia, não necessariamente nesta ordem. ANGELOLOGIA, desta feita encontrei no balcão das ofertas, a um preço tão razoável, que valia a pena comprar mesmo que fosse apenas para confirmar a primeira impressão, e afinal guardar na estante depois de ler poucas páginas. Isso acontece, às vezes... Acho que estou com pelo menos uns cinco livros nesta condição, hoje: um Humberto Eco empacado, um livro sobre blogs de sucesso que folheei e não li nem dez páginas, pelo menos dois clássicos que fiquei com preguiça de continuar, e um título sobre como falar em público, interessante para ler devagar... e estou lendo BEM devagar!
Trouxe então o ANGEOLOGIA para casa... e adorei! Afirma orelha e prefácios que há pesquisa precedente da autora, Danielle Trussoni, para embasar a ficção que escreve sobre os anjos caídos, e a raça dos Nefilins (ou Gigantes, como são traduzidos nas Bíblias em português), a raça híbrida de filhos dos anjos caídos que conceberam com mulheres humanas. Não tenho como opinar sobre o assunto, pouco conheço dos estudos medievais de angeologia.
A história se desenrola a partir de um grupo de angeólogos, estudiosos com origem medieval, que operam na vida privada e estudam à sombra de conventos e mosteiros, sem reconhecimento oficial. E a partir da teoria conspiratória de que os híbridos, capazes de viver por séculos, misturados aos humanos teriam se constituído como famílias poderosas, capazes de influenciar a história humana.
Assim, os anjos de Danielle Trussoni estão muito longe da imagem de perfeição e proteção que imaginei encontrar. Ao contrário, os Nefilins de sua imaginação são quase monstros de perfeita e divina beleza, vivendo entre humanos conquanto híbridos frios, assassinos e decadentes. Danielle deixa tênue a linha divisória entre o bem e o mal, algo que acho notável em qualquer fantasia. Seus híbridos não são totalmente maus, são mais narcisistas poderosos. Seus humanos não são totalmente bons. Tampouco são os heróicos idiotas como tanto se vê naquelas ficções que tentam definir o bem e o mal de forma absoluta, personagens que se tornam heróis porque não tiveram tempo de fugir como todos os outros, e ganharão a batalha final por sorte ou intervenção de alguém que, afinal, sabia o que fazia ali...Danielle consegue fugir dos dois estereótipos.
Neste contexto, respeitadas as diferenças, ANGEOLOGIA lembra o ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (Aldous Huxley), na medida em que corrompe a idéia da perfeição até transformá-lo na própria maldade e manipulação mesquinha.
Achei na internet, uma sinopse bem interessante sobre o livro. Vou colar aqui:
http://www.skoob.com.br/livro/115862
Sinopse - Angelologia - O Conhecimento dos Anjos - Danielle Trussoni
No romance de estreia de Danielle Trussoni, best-seller do New York Times, anjos também vivem na Terra e escondem suas asas para não levantar suspeitas. No entanto, sua perfeição imaculada se desfaz quando se apaixonam pelos humanos, seres inferiores. Os descendentes dessa união, os chamados Nefilins, são criaturas híbridas que desejam dominar a humanidade semeando o medo, provocando guerras e se infiltrando nas mais poderosas e influentes famílias da história. "Os Nefilins do meu livro são totalmente modernos. Os Nefilins originais, mencionados como 'gigantes' no livro de Gênesis, foram a inspiração para as criaturas que eu imaginava. Eu queria inverter a ideia típica dos anjos enquanto seres exclusivamente responsáveis por atos beneficentes. Queria mostrar o seu lado obscuro, explorar a capacidade de sedução que sua imagem exerce sobre as pessoas e, com isso, criar uma perspectiva aterrorizante", explica Trussoni. Com uma narrativa complexa e inteligente, Angelologia - O Conhecimento dos Anjos consegue fundir elementos bíblicos, míticos e históricos e envolver o leitor da primeira à última página. Mas a autora conta que quando começou a escrever o livro não estava especificamente interessada na história dos anjos: "Na verdade, eu não estava nada interessada neles. Tudo que eu sabia é que queria escrever algo que se passasse em um convento, e então decidi que deveria me hospedar em algum deles durante um tempo. Foi nesse período de estadia que me deparei com uma coleção imensa de livros sobre anjos. Depois que comecei a ler, tive a nítida certeza de que os anjos são elementos onipresentes em nossa cultura." No livro, a irmã Evangeline era apenas uma menina quando seu pai a entregou à ordem das Irmãs Franciscanas da Perpétua Adoração, ocupantes do Convento de Santa Rosa, em Nova York. Agora, aos 23 anos, ela se vê subitamente jogada no centro de uma batalha pelo poder na Terra que já se estende por milênios. Os protagonistas desse confronto são os Nefilins e a reclusa Sociedade Angelológica, que, com seus conhecimentos ancestrais, parece ser a única capaz de detê-los. Quando Evangeline se envolve no conflito, sua vida é colocada em risco e o apocalipse parece estar próximo. Dos corredores austeros do convento à opulência da Quinta Avenida, de um cemitério em Montparnasse às montanhas da Bulgária, Angelologia - O Conhecimento dos Anjos é uma viagem pelos locais resguardados onde a História da relação entre os seres humanos e os anjos foi mantida a sete chaves.
quarta-feira, 20 de março de 2013
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, de Clarissa Pinkola Estes
Este é meu livro de cabeceira, há muitos anos. Eu o comprei por indicação de uma colega de faculdade, que reencontrei no trabalho depois de muitos anos. Acredite se quiser: comecei a ler, empaquei logo no começo, e o livro talvez tenha passado um ano ou mais na estante, sem que o abrisse novamente.
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS é um trabalho de pesquisa e análise junguiana, que Clarissa Pinkola Estes faz sobre 19 contos, alguns reformatados pelos irmãos Grimm, outros populares, todos pesquisados desde a origem como contados pela tradição oral, em vilarejos distantes e comunidades afastadas. Eu o considero como uma "bíblia" para a mulher criativa, que desenvolve alguma linha de arte (música, poesia, pintura, dança, teatro, etc), profissionalmente ou não, e recomendo sua leitura a todos que me perguntam por onde começar a estudar ou entender a vinculação entre as narrativas, o simbolismo e a psicologia.
Em uma época tão consumista, pode-se dizer que seja um livro antigo... O original é de 1992, chegou no Brasil no final da década de 90 (estou sem o volume aqui... depois complemento este post, com o nome da tradutora e os dados da edição que possuo).
Interessante que, em seu lançamento (aqui no Brasil, bem entendido), o livro era considerado como "feminista", e foi publicado e divulgado junto com uma leva de outros títulos bastante populares, destinados às mulheres "modernas e independentes". Porém, os anos passaram. E quase uma década depois, para minha surpresa, eis que encontro o livro de Estés vendido na prateleira de "auto ajuda". Importante dizer que na primeira "febre" dos livros de auto-ajuda, era possível encontrar muita coisa interessante e bem estudada, vendida sob tal catalogação.
Este ano, fui atrás de mais um volume do livro, para dar de presente. Agora, eu o encontrei na seção de "livros técnicos de psicologia", e confesso que achei engraçado. Talvez porque o livro seja tudo isso, dependendo de quem o lê. Ele é um livro "feminista", na medida em que motiva e incentiva a mulher a encontrar o seu lado "selvagem", criativo, forte, protetor, rebelde, tanto quanto exorta cada mulher a expressar criativamente as suas emoções, seja plantando o mais belo jardim, escrevendo poesias, pintando, cantando, ou qualquer outra forma de arte. Mas também é um livro de "autoajuda", se o lemos com empatia e com o coração e alma abertos ao aprendizado. E sem dúvida é um livro "de psicologia", pois Estés é uma PH.D. em análise junguiana, que são utilizados para um estudo profundo de cada um dos dezenove contos analisados, todos correlacionados com casos práticos, e que nos remetem à utilização do arquétipo ao sentido da vida individual. Neste último parâmetro (e respeitadas as diferenças), o trabalho de Estés segue a mesma linha de análise narrativa, dos livros de Campbell (O PODER DO MITO, entre outros): primeiro a narrativa mitológica, depois a análise psicológica, por fim a inserção do mito na vida cotidiana.
O livro inicia com uma pequena introdução, e depois a análise do primeiro conto, o Barba Azul.
E foi exatamente neste primeiro conto que, na primeira leitura, eu parei e nem sei direito dizer qual motivo. Só tempos depois, ouvi algum outro comentário e lembrei do livro esquecido na estante.
Desta feita, fiz diferente: pulei o primeiro conto do Barba Azul, e reiniciei a leitura a partir da análise do segundo conto. Foi como se janelas imensas abrissem para mim, não consegui mais largar o livro até terminar a última página, e ainda voltar para ler o primeiro conto que tinha pulado (e que, desta feita, li inteiro sem problema algum...). O curioso é que, nos anos que se seguiram, encontrei outras mulheres que também leram e amaram o livro, mas que tiveram exatamente a mesma dificuldade: só conseguiram pegar o ritmo de leitura, quando começaram a ler, a partir do segundo conto, deixando o tal Barba Azul por último. Nenhuma de nós soube explicar o porque. Ficou a incógnita!
Meu volume é até engraçado... Verdade que tenho a mania de fazer algumas poucas anotações nos livros que mais gosto, para achar esse ou aquele pensamento do autor, rápido, em uma segunda leitura. Sim, gosto de reler meus melhores livros, mas então o faço em pedaços, selecionados ao gosto do momento. Às vezes, marco uma frase ou aponto um parágrafo. Às vezes, colo um marcador adesivo colorido, para poder abrir direto na página que já sei que vou reler. Se a idéia é engraçada, desenho um smile sorrindo. Ou marco pontos de exclamação, para aquilo que é um aprendizado surpreendente.
Em MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, parece que fantasiei o livro prá pular carnaval... Hà anotações à lápis, inúmeros marcadores adesivos coloridos, itens e mais itens. Nem sei porque marquei tanta coisa, porque quando estou desanimada e precisando de consolo, meu prazer é abrir o livro ao acaso e reler o que a sorte indicar. A pesquisa de Estes é tão extensa, e sua análise tão profunda, que cada releitura acaba por trazer novas associações.
O que me fascina no trabalho de Clarissa Estes, é a forma como ela rejeita os padrões de beleza e "sucesso" (não encontrei termo melhor...) da mídia contemporânea, e segue fundo para arquétipos que falam na alma feminina. Os lobos, significando a natureza rebelde e selvagem, são uma imagem poderosa. Mas também o "cantar sobre os ossos" ao se referir aos mistérios da vida e da morte, o "clã das cicatrizes" sobre o valor da experiência de vida, a forma como aborda a velhice como um momento de sabedoria e conhecimento, seu enfoque da alegria de viver, e dos cuidados necessários com os "predadores" violentos e perigosos que espreitam as mulheres, e de como identificam suas vítimas. Em cada conto, em cada análise, um pouco de sabedoria. Este é o livro que eu recomendo... mas nunca empresto, jamais sai da minha casa, de seu lugar seguro na estante.
Complementando: leio o livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS em português, na tradução de Waldéa Barcellos, editado pela Editora Rocco, Rio de Janeiro em 1999, 12ª edição da coleção Arco do Tempo.
MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS é um trabalho de pesquisa e análise junguiana, que Clarissa Pinkola Estes faz sobre 19 contos, alguns reformatados pelos irmãos Grimm, outros populares, todos pesquisados desde a origem como contados pela tradição oral, em vilarejos distantes e comunidades afastadas. Eu o considero como uma "bíblia" para a mulher criativa, que desenvolve alguma linha de arte (música, poesia, pintura, dança, teatro, etc), profissionalmente ou não, e recomendo sua leitura a todos que me perguntam por onde começar a estudar ou entender a vinculação entre as narrativas, o simbolismo e a psicologia.
Em uma época tão consumista, pode-se dizer que seja um livro antigo... O original é de 1992, chegou no Brasil no final da década de 90 (estou sem o volume aqui... depois complemento este post, com o nome da tradutora e os dados da edição que possuo).
Interessante que, em seu lançamento (aqui no Brasil, bem entendido), o livro era considerado como "feminista", e foi publicado e divulgado junto com uma leva de outros títulos bastante populares, destinados às mulheres "modernas e independentes". Porém, os anos passaram. E quase uma década depois, para minha surpresa, eis que encontro o livro de Estés vendido na prateleira de "auto ajuda". Importante dizer que na primeira "febre" dos livros de auto-ajuda, era possível encontrar muita coisa interessante e bem estudada, vendida sob tal catalogação.
Este ano, fui atrás de mais um volume do livro, para dar de presente. Agora, eu o encontrei na seção de "livros técnicos de psicologia", e confesso que achei engraçado. Talvez porque o livro seja tudo isso, dependendo de quem o lê. Ele é um livro "feminista", na medida em que motiva e incentiva a mulher a encontrar o seu lado "selvagem", criativo, forte, protetor, rebelde, tanto quanto exorta cada mulher a expressar criativamente as suas emoções, seja plantando o mais belo jardim, escrevendo poesias, pintando, cantando, ou qualquer outra forma de arte. Mas também é um livro de "autoajuda", se o lemos com empatia e com o coração e alma abertos ao aprendizado. E sem dúvida é um livro "de psicologia", pois Estés é uma PH.D. em análise junguiana, que são utilizados para um estudo profundo de cada um dos dezenove contos analisados, todos correlacionados com casos práticos, e que nos remetem à utilização do arquétipo ao sentido da vida individual. Neste último parâmetro (e respeitadas as diferenças), o trabalho de Estés segue a mesma linha de análise narrativa, dos livros de Campbell (O PODER DO MITO, entre outros): primeiro a narrativa mitológica, depois a análise psicológica, por fim a inserção do mito na vida cotidiana.
O livro inicia com uma pequena introdução, e depois a análise do primeiro conto, o Barba Azul.
E foi exatamente neste primeiro conto que, na primeira leitura, eu parei e nem sei direito dizer qual motivo. Só tempos depois, ouvi algum outro comentário e lembrei do livro esquecido na estante.
Desta feita, fiz diferente: pulei o primeiro conto do Barba Azul, e reiniciei a leitura a partir da análise do segundo conto. Foi como se janelas imensas abrissem para mim, não consegui mais largar o livro até terminar a última página, e ainda voltar para ler o primeiro conto que tinha pulado (e que, desta feita, li inteiro sem problema algum...). O curioso é que, nos anos que se seguiram, encontrei outras mulheres que também leram e amaram o livro, mas que tiveram exatamente a mesma dificuldade: só conseguiram pegar o ritmo de leitura, quando começaram a ler, a partir do segundo conto, deixando o tal Barba Azul por último. Nenhuma de nós soube explicar o porque. Ficou a incógnita!
Meu volume é até engraçado... Verdade que tenho a mania de fazer algumas poucas anotações nos livros que mais gosto, para achar esse ou aquele pensamento do autor, rápido, em uma segunda leitura. Sim, gosto de reler meus melhores livros, mas então o faço em pedaços, selecionados ao gosto do momento. Às vezes, marco uma frase ou aponto um parágrafo. Às vezes, colo um marcador adesivo colorido, para poder abrir direto na página que já sei que vou reler. Se a idéia é engraçada, desenho um smile sorrindo. Ou marco pontos de exclamação, para aquilo que é um aprendizado surpreendente.
Em MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, parece que fantasiei o livro prá pular carnaval... Hà anotações à lápis, inúmeros marcadores adesivos coloridos, itens e mais itens. Nem sei porque marquei tanta coisa, porque quando estou desanimada e precisando de consolo, meu prazer é abrir o livro ao acaso e reler o que a sorte indicar. A pesquisa de Estes é tão extensa, e sua análise tão profunda, que cada releitura acaba por trazer novas associações.
O que me fascina no trabalho de Clarissa Estes, é a forma como ela rejeita os padrões de beleza e "sucesso" (não encontrei termo melhor...) da mídia contemporânea, e segue fundo para arquétipos que falam na alma feminina. Os lobos, significando a natureza rebelde e selvagem, são uma imagem poderosa. Mas também o "cantar sobre os ossos" ao se referir aos mistérios da vida e da morte, o "clã das cicatrizes" sobre o valor da experiência de vida, a forma como aborda a velhice como um momento de sabedoria e conhecimento, seu enfoque da alegria de viver, e dos cuidados necessários com os "predadores" violentos e perigosos que espreitam as mulheres, e de como identificam suas vítimas. Em cada conto, em cada análise, um pouco de sabedoria. Este é o livro que eu recomendo... mas nunca empresto, jamais sai da minha casa, de seu lugar seguro na estante.
Complementando: leio o livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS em português, na tradução de Waldéa Barcellos, editado pela Editora Rocco, Rio de Janeiro em 1999, 12ª edição da coleção Arco do Tempo.
terça-feira, 19 de março de 2013
RAÍZES DO OCULTO, a verdadeira história de Madame H. P. Blavatsky, de Henry S. Olcott
Não sou nenhuma conhecedora de ocultismo, porém a temática das heresias sempre me atraiu. Esse o pano de fundo do interesse em ler alguma coisa sobre as sociedades teosóficas, assim como já tinha lido algo sobre a nova era e os movimentos wicca, esporadicamente. Afinal, no quê acreditar, quando a fé é livre?
Partilho a idéia de que a liberdade e a saúde são os estados naturais para cada um de nós. Ou, em outras palavras: que quando estamos saudáveis, e/ou livres, simplesmente não nos preocupamos com isso, porque então estamos no nosso "natural". Ninguém que acorde bem disposto e cheio de saúde, passará o dia pensando como é bom não ter dor de cabeça, dor de dente, dor de ouvido, problemas nos rins ou unhas encravadas. Se estamos saudáveis, vamos nos preocupar em viver a vida, trabalhar, estudar, curtir o presente e planejar o futuro. Mesma coisa com a liberdade, que não conseguimos mensurar até o momento exato em que somos cerceados. Assim somos nós, humanos. O que nos é essencial, só conseguimos perceber e mensurar com clareza, quando nos falta.
Além disso, sem fontes fidedignas, conhecia um pouco do histórico de época, de que as sociedades teosóficas, ao final do século XVIII, reuniam intelectuais insatisfeitos com os rumos do espiritismo, que consideravam vulgarizado pelas sessões em busca de comunicação com os parentes mortos, mais das vezes para simples colóquios saudosistas considerados de interesse restrito e mesquinho. Eles queriam mais, queriam tornar sua fé e crença, também uma filosofia e uma ciência.
Foi em um sebo que encontrei uma biografia de Madame Blavatsky, que até então só conhecia por reputação, informando a orelha do livro que se tratava de texto histórico, escrito pelo homem que financiou suas pesquisas esotéricas. Com o título RAÍZES DO OCULTO, A VERDADEIRA HISTÓRIA DE MADAME H.P.BLAVATSKY, autor Henry Steel Olcott (que li em português, com tradução de Alcione Soares Ferreira, em uma edição de 1983 pela Editora Ibrasa, Instituição Brasileira de Difusão Cultural S/A).
O livro é curioso. Escrito com o coração e muita empolgação, Olcott passa melhor o entusiasmo pela causa e a expectativa de resultados impressionantes a curto prazo, do quê a biografia ou o registro do momento histórico que pretendia retratar. Mais do que acreditar nos poderes de Blavatsky, ele acreditou que ela seria capaz de comprovar irrefutavel e "cientificamente" a existência do oculto, de forma rápida e cabal.
Por isso, para o olhar contemporâneo, há passagens em que imaginamos se Olcott não compraria um "bilhete premiado" na próxima esquina, pois sua empolgação quase exige o engôdo. Não que eu discuta se Blavatsky tinha, ou não, mediunidade ou poderes paranormais. Mas porque se sabe que mesmo as pessoas dotadas de sensibilidade paranormal, não tem como garantir efeitos físicos e provas "com hora marcada", a quem queira ser convencido no horários de folga de seu expediente de trabalho.
Este, portanto, é um livro para ser lido dentro do contexto de época. Precisamos lembrar das aulas de história da antropologia (vendo como os primeiros antropólogos alçaram a ciência, o que para eles tinha muito do prazer de viajar e conhecer povos diferentes, de lugares remotos), de história da arqueologia (lembrando como os primeiros arqueólogos eram aventureiros amadores, empolgados em encontrar na realidade aquilo que até então se considerava a fantasia dos mitos e histórias da antiguidade), e de tantos outros interesses, crenças, curiosidades e senso de aventura que, naquele final de século, só poderiam ser considerados com seriedade e levantar fundos de pesquisa, se houvesse alguma forma de situá-los no campo das "ciências".
Por isso, considero que como uma "biografia de Blavatsky", este seja um livro pouco confiável. Pelo menos eu não tive coragem de formar opinião sobre esta mulher, a partir de um texto tão tendencioso.
Mas é um documento histórico valioso, se queremos entender o pensamento daqueles que, mesmo frustrados com as primeiras tentativas (as fraudes e mágicas, apresentadas como paranormalidade, existem até hoje...), efetivamente conseguiram tornar a parapsicologia uma ciência, ainda que seja um ramo de estudo cheio de controvérsias.
Partilho a idéia de que a liberdade e a saúde são os estados naturais para cada um de nós. Ou, em outras palavras: que quando estamos saudáveis, e/ou livres, simplesmente não nos preocupamos com isso, porque então estamos no nosso "natural". Ninguém que acorde bem disposto e cheio de saúde, passará o dia pensando como é bom não ter dor de cabeça, dor de dente, dor de ouvido, problemas nos rins ou unhas encravadas. Se estamos saudáveis, vamos nos preocupar em viver a vida, trabalhar, estudar, curtir o presente e planejar o futuro. Mesma coisa com a liberdade, que não conseguimos mensurar até o momento exato em que somos cerceados. Assim somos nós, humanos. O que nos é essencial, só conseguimos perceber e mensurar com clareza, quando nos falta.
Além disso, sem fontes fidedignas, conhecia um pouco do histórico de época, de que as sociedades teosóficas, ao final do século XVIII, reuniam intelectuais insatisfeitos com os rumos do espiritismo, que consideravam vulgarizado pelas sessões em busca de comunicação com os parentes mortos, mais das vezes para simples colóquios saudosistas considerados de interesse restrito e mesquinho. Eles queriam mais, queriam tornar sua fé e crença, também uma filosofia e uma ciência.
Foi em um sebo que encontrei uma biografia de Madame Blavatsky, que até então só conhecia por reputação, informando a orelha do livro que se tratava de texto histórico, escrito pelo homem que financiou suas pesquisas esotéricas. Com o título RAÍZES DO OCULTO, A VERDADEIRA HISTÓRIA DE MADAME H.P.BLAVATSKY, autor Henry Steel Olcott (que li em português, com tradução de Alcione Soares Ferreira, em uma edição de 1983 pela Editora Ibrasa, Instituição Brasileira de Difusão Cultural S/A).
O livro é curioso. Escrito com o coração e muita empolgação, Olcott passa melhor o entusiasmo pela causa e a expectativa de resultados impressionantes a curto prazo, do quê a biografia ou o registro do momento histórico que pretendia retratar. Mais do que acreditar nos poderes de Blavatsky, ele acreditou que ela seria capaz de comprovar irrefutavel e "cientificamente" a existência do oculto, de forma rápida e cabal.
Por isso, para o olhar contemporâneo, há passagens em que imaginamos se Olcott não compraria um "bilhete premiado" na próxima esquina, pois sua empolgação quase exige o engôdo. Não que eu discuta se Blavatsky tinha, ou não, mediunidade ou poderes paranormais. Mas porque se sabe que mesmo as pessoas dotadas de sensibilidade paranormal, não tem como garantir efeitos físicos e provas "com hora marcada", a quem queira ser convencido no horários de folga de seu expediente de trabalho.
Este, portanto, é um livro para ser lido dentro do contexto de época. Precisamos lembrar das aulas de história da antropologia (vendo como os primeiros antropólogos alçaram a ciência, o que para eles tinha muito do prazer de viajar e conhecer povos diferentes, de lugares remotos), de história da arqueologia (lembrando como os primeiros arqueólogos eram aventureiros amadores, empolgados em encontrar na realidade aquilo que até então se considerava a fantasia dos mitos e histórias da antiguidade), e de tantos outros interesses, crenças, curiosidades e senso de aventura que, naquele final de século, só poderiam ser considerados com seriedade e levantar fundos de pesquisa, se houvesse alguma forma de situá-los no campo das "ciências".
Por isso, considero que como uma "biografia de Blavatsky", este seja um livro pouco confiável. Pelo menos eu não tive coragem de formar opinião sobre esta mulher, a partir de um texto tão tendencioso.
Mas é um documento histórico valioso, se queremos entender o pensamento daqueles que, mesmo frustrados com as primeiras tentativas (as fraudes e mágicas, apresentadas como paranormalidade, existem até hoje...), efetivamente conseguiram tornar a parapsicologia uma ciência, ainda que seja um ramo de estudo cheio de controvérsias.
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