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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

FILHA DA FLORESTA, trilogia de Juliet Marillier

A escritora Julliet Marilier tem sido aclamada como a sucessora de MARION ZIMMER BRADLEY. Nascida em Dunedin, Nova Zelândia, foi influenciada pela forte tradição escocesa do local.

Encontrei FILHA DA FLORESTA como um lançamento na minha livraria favorita. Com um adendo feliz, considerando os demais lançamentos que comprei esse ano: é mais uma "trilogia", mas desta vez TINHA o segundo volume, FILHO DAS SOMBRAS.

Só descobri sua fama como sucessora da (minha amada autora, lugar especial dentre as preferidas) Marion Zimmer Bradley, ao ler mais atentamente as orelhas do segundo volume da trilogia, ontem à noite. Porque o primeiro volume, quase "devorei" em uma madrugada única, só não terminei porque era dia de semana e, de alguma forma, precisava de algumas horas de sono para conseguir trabalhar no dia seguinte!

Para quem gosta de contos de fadas na forma de romances... para quem é leitor ávido de Marion Zimmer Bradley... para quem ama lendas celtas/ irlandesas/ escocesas, com seus seres mágicos das florestas e tradições ancestrais...
A capa já chama a atenção: uma jovem carregando um galho de árvore, saindo de uma floresta de mato alto, semicoberta por uma longa capa e capuz. FILHA DA FLORESTA, como poderia deixar de ler? (Leio em português, tradução de Yma Vick, edição de 2012 da Butterfly Editora). Lindo! Uma minúscula síntese da história, na capa de trás, tinha as referências de que precisava: seres das florestas, encantamentos, aventura.

Mas pouco prestei atenção nas informações da orelha. Detesto quando no lugar da síntese do livro, resolvem transcrever um trecho qualquer do romance. Para quê transcrever pedaços do livro que já está na minha mão ? Alguém tem dúvida que, depois de ver a síntese da história, darei pelo menos uma espiada aleatória e rápida no texto, para conferir se gosto da linguagem que a autora usa? E... TRANSCRIÇÃO NA ORELHA? Façam-me o favor... se consegui ler a orelha, então este livro não está vedado em plástico e, portanto, posso folhear à vontade. Pulei direto para as referências sobre a autora, de sua forma de acesso às tradições escocesas... e para mim, bastou.

FILHA DA FLORESTA (vol 1) e FILHO DAS SOMBRAS (vol 2) são textos para voar na fantasia. Um terço está escrito, os outros dois terços são da própria imaginação. Ela usa dos contos de fadas como todos nós deveríamos ser capazes de fazer: uma história que é um aprendizado que é uma história. É uma contadora excepcional, consegue colocar o leitor dentro do texto, como se estivéssemos lá, junto com os personagens, acompanhando a aventura.
Mas sua personagem, Sorcha - a sétima filha do sétimo filho -, também é uma contadora. Então, há histórias dentro da história, lendas que são contadas pela voz da própria personagem.

No prefácio do romance, a autora explica que a trilogia é mesmo um conto de fadas versado para adultos. Baseia-se no conto OS SEIS CISNES, também conhecido como OS CISNES SELVAGENS, contados primeiro pelos Irmãos Grimm. A linha mestra da história é uma madrasta, bruxa e malvada, que assume o feudo onde moravam seis irmãos e uma irmã, lançando um encantamento que transforma os rapazes em cisnes. Com a proteção dos seres das florestas, a única irmã remanescente terá uma longa e difícil tarefa a cumprir, para quebrar o encantamento. Uma tarefa que levará três longos anos para ser cumprida, às escondidas, e que a levará na direção da casa de seus inimigos e aos braços de um grande e sincero amor.

Mas acrescento, quanto para mim foi importante, essa leitura, neste momento.
(Quem sabe, também estou protegida pelos Seres da Floresta?)

Para a maioria dos leitores, talvez o romance chame a atenção pelas aventuras da heroína, ou pelo grande amor que se desenrola aos poucos, em meio à adversidade. Ou, quem sabe, pelo ritmo envolvente da narrativa, que realmente prende a atenção.

Mas para mim, não foi assim.

Reclamei tanto, nas últimas semanas, tão cansada e me sentindo afogada em rotina. Está sendo um ano exaustivo, daqueles em que as mesmas coisas precisam ser feitas continuamente, e visto de forma isolada, nenhuma delas parece particularmente importante ou significativa.

Sempre achei a rotina importante, mas não quando sinto que estou afogando dentro dela. Já havia perdido, depois de meses e meses vivendo da mesma forma, a capacidade de me distanciar dos dias sequentes e observar o resultado da somatória das minhas ações. Sentia que estava no limite do cansaço, quando encontrei esse livro.

Ocorre que, em A FILHA DA FLORESTA, mais da metade do livro são as desventuras da personagem, nos três loooooongoooossssss anos que passa tentando cumprir sua tarefa e libertar os irmãos do mau encanto.

Assim como eu, também a personagem imaginou que conseguiria terminar seu fado em pouco tempo, mas a tarefa era mais longa e difícil do que parecia a princípio. Também como eu, o silêncio e a rotina cansativa eram a tônica da tarefa a cumprir. Da mesma forma como acontecia comigo, o longo tempo distorcia a visão do objetivo final, e nenhuma surpresa feliz amenizava a dificuldade que se impunha. Como acontecia comigo, todas as situações inesperadas que surgiam, eram novos problemas e mais dificuldades a resolver. E também para ela não havia nenhuma palavra de motivação além daquelas que pudesse encontrar sozinha, dentro dela mesma.

Então, lá estava eu, dentro do conto de fadas, no meio do percurso sem saber se teria forças para continuar. Uma história que caía como um bálsamo de compreensão para a minha fraqueza. Restaurei minhas forças, ou, ao menos, parte dela. Partilhei de seu silêncio, do esforço para repetir em tédio o esforço necessário, em busca de um resultado que parece desaparecer em um futuro incerto enquanto o tempo parece escoar entre os dedos.

Foi por isso que mal comecei a ler o seguindo volume da trilogia, mas senti vontade de escrever sobre o primeiro, e assim agradecer a palavra sábia que me chega na forma de um conto.

(Quando terminar de ler o segundo volume, FILHO DAS SOMBRAS, volto aqui para comentar!)







Fim de feriado e fim do livro.

A trilogia é uma saga de família.
FILHA DA FLORESTA conta a história de Sorcha, a caçula de sete irmãos.
No segundo volume, segue a história de Liadan, filha de Sorcha.


Não sei se FILHO DAS SOMBRAS segue algum conto determinado, como acontece no primeiro volume. Este tem mais características da Jornada de Herói, cenas épicas e muita ação, daquelas em que os bandidos são "mocinhos", há poderosos que são vilões, e no meio ficam todos os outros que querem vive em paz. E a parte romântica também é muito bonita, lembra um pouco as controvérsias de Romeu & Julieta (Shakespeare), o amor proibido, forte e pleno de desejo, que nesta história é capaz de vencer todas as dificuldades.

Algumas cenas são realmente emocionantes. Sua fantasia sobre endurecer o coração para sobreviver, e o resgate da emoção e da esperança me rendeu tantas lágrimas, que precisei parar porque não conseguia mais ler. O livro enfoca a ideia de pensamento positivo mesclada com magia, invocações capazes de encher a mente com lembranças boas e positivas como um dom e encantamento dos mais fortes. Muito bom!


Enquanto pesquiso mais obras da autora traduzidas para o português, fica aqui o endereço eletrônico de sua página oficial - Juliet Marillier, e de uma fan page no facebook: fan page no facebook de Joliet.


Mas, embora seja uma história completa, é mesmo um livro de transição. A história de fundo caminha para o retorno da bruxa má do primeiro volume, através da força de um filho mago, em uma trama onde guardar segredos só fez mal. Fiquei morrendo de curiosidade para ler o terceiro volume, FILHA DA PROFECIA.

(...)


Encontrar FILHA DA PROFECIA não foi fácil.
Procurei nas livrarias, da minha preferida à mais completa da cidade, passando pelos sebos... nada... a informação recebida é de que a edição está esgotada, na editora.

Já estava quase desistindo, triste, porque a saga é muito bonita, quando, TCHAN TCHAN TCHANM!, descubro o site LÊ LIVROS, onde e-books são distribuídos, e gratuitamente!

Melhor ainda: lá estava a TRILOGIA COMPLETA!

Estou quase terminando a leitura do terceiro volume, tão bom e tão envolvente quanto achei que seria.
A saga continua, terceira geração. Todos os personagens dos livros anteriores, de volta à trama, uma geração mais velhos. Novas responsabilidades, novos desafios, muita magia. Lindo.

A leitura ainda veio, para mim, com um adicional bem vindo: é a primeira vez que consigo ler e-book (acho esta mídia insípida, não substitui o prazer de ler um livro "físico". Mas é uma opção viável, seja pelo preço, ou neste caso, porque não encontro a edição impressa).

Por isso, voltei aqui, para deixar o endereço eletrônico do site, divulgando a quem interessar.
Boa leitura!
(Clique sobre o título do volume, abaixo):

A FILHA DA FLORESTA
O FILHO DAS SOMBRAS
A FILHA DA PROFECIA




domingo, 10 de novembro de 2013

O CAIR DA NOITE, de Isaac Asimov e Robert Silverberg

Precisava sair um pouco da realidade, que este ano estou afogada em rotina. (Xen-ti, esse ano de 2013 irá embora sem deixar saudade...)

Então, fui ao sebo atrás da seção de ficção científica. Levei um susto: a menor das seções, o menor número de livros, e só tinha dois exemplares do Isaak Asimov. Fiquei na dúvida: nesta última década, os cientistas confirmaram a existência de planetas, e descobriram centenas, talvez milhares deles. As ciências ligadas à astronomia (e, claro, os ufólogos e os místicos) questionam e buscam por um planeta capaz de sustentar a vida humana. As descobertas geraram uma corrida às lojas atrás dos velhos livros de ficção científica, ou nós, leitores, ainda não vinculamos a imaginação e a realidade?

Toc, toc, ninguém por aí imaginando como será viver em outro planeta?


Pois bem... EU ESTOU.
Mesmo sem fazer inscrição para viver em Marte (faltou dinheiro e faltou coragem, rs), reacendeu a vontade de ler ficção. Trouxe para casa O CAIR DA NOITE, escrito por Asimov e Robert Silverberg (leio em português, tradução de Ronaldo Sérgio de Biasi, 2ª edição da Editora Record, 1990).

A história era tudo o que eu queria ler neste momento.
Ainda que exista um prefácio, onde os autores deixam claro que não pretendiam uma correlação entre o mundo alienígena e o mundo real... bem, os personagens e a história são tão convincentes e humanos, que é impossível não correlacionar.

Exceto, claro, porque esse povo vive num planeta com seis sóis de diferentes tamanhos, cuja trajetória intercalada fornece luz ininterruptamente. Neste lugar, a escuridão é o fato anormal, artificial, só encontrado nas cavernas isoladas onde ninguém nunca entra. A escuridão traz o pavor extremo, e pode desencadear a loucura, temporária ou permanente, para algumas pessoas.

Porém, uma catástrofe se avizinha. Profecias antigas avisam que a cada 2049 anos, a escuridão se abate no planeta, no céu se aproxima pontilhado de pequenas luzes brancas, e o fogo ataca as cidades. A profecia é anunciada por um grupo religioso radical, como o apocalipse do mundo conhecido, o castigo dos deuses para os pecados dos homens.

Ciência e religião se confrontam, quando a noite, surpreendentemente, surge nos céus, total e cataclísmica.






PS: sobre os projetos contemporâneos de colonização do planeta MARTE, vide, entre outros: colonização em marte Wikipédia, e brasileiros em marte., ambos acessados em 14/nov. 2013.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A FILOSOFIA DA ADÚLTERA, de Luiz Felipe Pondé

E dizer que não gostava de "filosofia"... e hoje, meus autores brasileiros preferidos, que leio com mais prazer, são dois filósofos!

Ontem comprei A FILOSOFIA DA ADÚLTERA, Ensaios Selvagens de Luiz Felipe Pondé (editora Leya, 2013), então li um pouco-bem-pouco no escritório, outro tanto no ônibus, entrei mais um tantinho pela madrugada e... bem... kbô!


A FILOSOFIA DA ADÚLTERA é a filosofia de Pondé, pelos olhos de Nelson Rodrigues. Ou será o inverso?

Textos ao melhor estilo "a vida como ela é". Curtos, quase crônicas, com gosto de bate papo, lareira e vinho, na companhia de alguém de raro senso de humor. 

Comecei a ler, não parei.






O livro já chama a atenção desde a capa, filtros rosa e vermelho, sobre a imagem de uma mulher "anos 50" retocando o batom, que bem atiça o imaginário "bonitinha-mas-ordinária" que a gente associa mesmo aos textos de Nelson Rodrigues. Trajeto de volta prá casa, um trecho eu li no ônibus, em pé, depois de achar um canto seguro prá encostar a mochila e as costas. E via de canto de olho, quem mais estava à volta, espiando por cima dos meus ombros tentando entender que livro era essa capa de sutil sugestão erótica. E quando não ria de algum comentário lido, aquelas tiradas rápidas tão características do autor, então ria sozinha de quem tentava descobrir sem perguntar, com vontade de ser desmancha prazeres prá avisar: é livro de "filosofia", sacou?

Agora, meu volume está cheio dos tracinhos de destaque, que tenho o costume de marcar prá reler mais tarde, achando rápido o que mais gostei. É uma seleção variada, as frases que pinçaram aquela corda nervosa, como um eco de caverna indicando que ainda há mais oculto na névoa e no desconhecido. "... Escrevo para não me sentir só." [p 24], que lembra outra frase que gosto muito, de uma aula das Oficinas de Literatura da FCC de tempos atrás: "Como Sherazade, contamos histórias para não morrer." E tem mais, muito mais. D' "... o homem como um ser sempre à beira da morte, sonhando com o amor..." [pg 23], e da liberdade e do individualismo, como um estado de alma poderoso, solitário e sofrido.

Gostoso mesmo, foi ler Pondé falando (e/ou explicando) sobre o tédio desta sociedade de felicidade "tecnológica, científica" e programada. Sabe... ver pessoas reivindicando direitos de forma histérica traz junto uma vaga sensação de que, estas, eram pessoas entediadas. Mas sem palavras para explicar, quem consegue comunicar?
Em A FILOSOFIA DA ADÚLTERA, o autor refere a esse tédio peculiar, e melhor: tem palavras, vocabulário, expressões, Nelson Rodrigues, histórias e personagens que tornam a percepção do fato clara como água de nascente. Encontrei as palavras que me faltavam!

Ah, a vida fica tão mais viva, vista pelo olhar de Nelson Rodrigues até Luiz F. Pondé... e então, de Pondé para... bem... de volta à vida real, olhar & olhar de novo, afiando um olhar selvagem. Porque não?



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AMBER HOUSE, de Kelly Moore, Tucker Reed e Larkin Reed

Ah, as velhas casas cheias de segredos!
(Porque foi que não nasci herdeira de uma grande e velha casa cheia de passagens secretas e pequenos tesouros do passado a serem descobertos? Gosto tanto disso!)

Diz a anotação de orelha de AMBER HOUSE - Onde o passado e o futuro se encontram, que a história aguardou cerca de trinta anos, para terminar de ser escrita. É que KELLY MOORE imaginou a história quando ainda era estudante de direito, e fez anotações em meados da década de 1980. Depois teve duas filhas, Tucker e Larkin, que descobriram o manuscrito anos atrás, e decidiram reescrevê-lo, juntas.

Assim, a mistura de passado e futuro não está só na história ficcional, mas tem um pouquinho dela na história das escritoras também.
Deve ser sensacional... já imaginou reescrever a história inventada por sua mãe, quando ela mesma tinha só a sua idade?
(Leio em português, tradução de Martha Argel, editora Jangada edição 2013).


A história é uma delícia.
O livro já entrou para a minha lista pessoal das casas mais adoráveis, fascinantes e inesquecíveis da literatura de ficção.
A trama tem tudo o que eu gosto, e só para começar, os ecos do passado que mais parecem fantasmas que voltam à vida.

Se pudesse escolher um poder paranormal, seria o mesmo das mulheres de AMBER HOUSE: o de tocar um objeto e conseguir visualizar pessoas, fatos e emoções do passado de quem, antes de mim, também tocou no mesmo lugar. Já imaginou?
É o que acontece com Sarah, no momento em que entra na velha casa de família, herança da avó que acaba de falecer. Aos poucos, cada objeto que toca lhe traz uma visão/lembrança do passado, de suas antepassadas que também viveram ali. E não é pouco: são trezentos anos de história, em uma casa que cada geração ampliou um pouquinho, acrescentando sua cota de espaço e tragédia. Presente e passado vão se misturando, e mais um tantinho de romance, e de desencontros em família.

Mas a maioria dos objetos significativos estão ocultos, escondidos, pois a casa é cheia de passagens secretas. Alçapões desativados onde antes se escondeu contrabando e escravos fugidos. Corredores e sótãos que guardam baús com objetos de memórias dolorosas que não se pode, ou não se quer, sejam jogadas fora.

A história continua... e a proposta do romance se torna ainda mais ousada: viagem no tempo e mundos alternativos. O que aconteceria se um fato, uma tragédia, um destino pudesse ser evitado?


SÓ QUE....

Pois é, quando cheguei no fim do livro... tchantchantchan,,, mais uma trilogia!
(Desta vez, ainda bem, são livros independentes, a história está inteira e não fiquei ansiosa para saber o que acontece "depois"... embora esteja curiosa em saber o que será o segundo volume!)

Pelo jeito, ano que vem será uma delícia passear na livraria. Pelas minhas contas, tenho prá ler o lançamento do segundo volume dos lobisomens da Anne Rice, a sequência da 5ª Onda, e mais o segundo volume do Amber House. Nada mal!








quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CARAVAGGIO, de Roberto Longhi

Lindo!

Este livro, ganhei de presente de aniversário da minha irmã (obrigada, obrigada, obrigada!)
Bom... é uma edição Cosac Naif (leio em português, tradução de Denise Bottmann, prefácio de Lorenzo Mammi). E uma coisa essa editora tem como diferencial: é livro prá ler, e livro prá ver!

As ilustrações são simplesmente ma-ra-vi-lho-sas, um espetáculo à parte.
Parei um pouquinho em todas: adoro os quadros de Caravaggio. Adoro a palheta de cores, a dramaticidade, a técnica, as expressões, o foco. Tudo.

E o livro traz um texto de referência, histórico.
(Embora seja verdade que, quando vi pela primeira vez, ainda na propaganda, o nome "Roberto Longhi" não era desconhecido, mas com essa memória que mais parece queijo suíço, e daqueles que só vale comprar a quilo porque tem mais buraco do que queijo, não associei o nome a quem quer que fosse, além de "já ter ouvido falar", algum dia, nem lembrava por quem!)

Quando o livro chegou às minhas mãos, e vi que espetáculo que era, até beijei o volume.
É o texto mais importante!
Então, lembrei: Longhi foi o "descobridor tardio" de Caravaggio, quem deu ao pintor essa sensação de descoberta do século XX.
E a leitura é ótima, Longhi escreve bem, comenta várias obras, misturando um pouco de estética com um pouco de biografia.

E por falar em biografia... Caravaggio é como Beethoven ou Michelangelo, e tantos outros gênios intempestivos e impetuosos, que provavelmente infernizaram a vida dos amigos e familiares com quem conviveram. Mas que, para mim - que deles só conheço textos biográficos -, parecem ter tido vidas intensas, completas, corajosas.
Alguém já disse que todo mundo ama heróis mortos, porque só então podemos amá-los  sem nos colocar em risco...
Talvez seja verdade.
(Mas a vida de Caravaggio, é uma história e tanto!)

Importante, também, foi rever obras de que tanto gosto.
Lá estava, em reprodução primorosa, As Sete obras da Misericórdia (pg 126, óleo sobre tela de 1606-07), a grande bunda do cavalo de Conversão de São Paulo (pg 94, óleo sobre tela de 1601), e o maravilhoso Judite e Holofernes (pg 59, óleo sobre tela de 1598-1600).
Não canso de olhar.
Delícia!




O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA, de Olavo de Carvalho

Um oásis no deserto! Foi o que pensei, quando finalmente vi o livro na estante de lançamentos da minha livraria preferida, depois de meses acompanhando a divulgação pela internet (pois é... AINDA sou reticente em comprar por internet. O jeito foi esperar).

Já faz semana que estou lendo, com lápis na mão e dois marcadores de páginas (porque tem o texto, tem as notas de rodapé, mas tem também as notas do organizador, quase tão interessantes quanto o texto em si, mas que ficam no fim de cada capítulo! Então, são dois marcadores, um pro texto, outro prás notas). Conclusão, passou a semana e só cheguei na metade do livro (leio a segunda edição da Editora Record, 2013).

Estou tão animada, que não resisto a escrever sobre o livro, mesmo sem ter terminado.
Mais ou menos como aconteceu com o Efeito Lúcifer: uma certa tristeza, de não ter mais ninguém lendo comigo, e não achar com quem trocar impressões.
Ainda bem que tem o blog.
Escrevo aqui.

De cara, fiquei mesmo impressionada, foi com o trabalho do Felipe Moura Brasil, o organizador do livro.
Quando vi a propaganda, não imaginava algo tão completo!

O MÍNIMO, acreditem, é um livro de 615 páginas de pequenos artigos, publicados - e agora reunidos - por quase duas décadas (1997 a 2013). Porém, ainda mais impressionante, foi a organização dos textos, a seleção dos temas, a precisão das notas do organizador, tão interessantes que até merecem seu próprio marcador de páginas (qualquer leitor compulsivo como eu, entendeu, não é?).
Um trabalho f..., nem imagino a loucura que deve ter sido organizar um volume de textos deste tamanho.
Mas o resultado, ficou maravilhoso. Estou encantada.


Livros como O MÍNIMO QUE VOCÊ PRECISA SABER PARA NÃO SER UM IDIOTA devolvem meu senso de normalidade.
Finalmente, começo a reencontrar os pensadores, os filósofos, os intelectuais e os artistas, aquela gente crítica mas com conteúdo prá falar, que sempre existiram no mundo e na minha realidade, e que, de repente, pareciam ter sido abduzidos por alguma nave espacial que ninguém viu passar. Encontrá-los, não foi fácil. Então, como não agradecer um livro que afirma, peremptoriamente, aquilo que também já percebi, que aos pensadores da atualidade está sendo negado espaço público, e que poucos sobrevivem, sob pressão, mais das vezes publicando suas ideias em blogs independentes? 

Mas me apaixonei pelo livro logo nos dois primeiros capítulos.

No primeiro capítulo foi a empatia, ao ler a interpretação do autor sobre como a propalada rebeldia jovem é, mais que qualquer outra coisa, a luta para conseguir aceitação de um grupo social que lhe parece tão importante quanto hostil (fls. 29/31, O imbecil juvenil, artigo no Jornal da Tarde de 1998).

Adiante, no terceiro capítulo, a resposta à pergunta mais pessoal e íntima, resumida em uma palavra: VOCAÇÃO. 
Olavo afirma: "Se você escreve, ou pinta, ou faz sermões na igreja, ou toca música, ou monta cavalo, ou tira fotos, ou faz qualquer outra coisa que pareça interessante, já deve ter ouvido mil vezes a pergunta: 'Você faz isso por dinheiro ou por prazer?" (fls. 47, Vocações e equívocos, de Bravo! em fevereiro de 2000).
Quando foi que essa palavra desapareceu do "meu" vocabulário?
Justo a palavra que definia o que eu sinto? Aquilo que faz com que me sinta "viva"?










Delícia, ler O MÍNIMO.
Maravilha, descobrir que não estou "doida", tampouco a única a constatar a degradação, o decaimento e a falta de conteúdo do que se apresenta como educação e cultura no país.
Reconfortante, descobrir a versão suprimida da história, além de nomes e títulos de autores nunca estudados e pouco divulgados;

Melhor ainda, é conseguir entender da sociedade, o mínimo necessário para que eu deixe de me sentir uma idiota. Entender porque determinados modismos são apresentados como se fossem verdades absolutas. Entender porque coisas graves são tratadas como fossem triviais, e coisas triviais são tratadas como fossem graves.

Bom... estou na metade do livro.
Volto a este post, quando terminar!



TERMINEI... quer dizer, "quase".
Ficou um único capítulo para trás, que não sei quando vou terminar de ler.


De fato, a leitura não é rápida.
Além de marcar o que achei interessante, ainda senti necessidade de correr atrás de bibliografia indicada. Ou seja, comprei outros dois livros só na indicação, e não comprei um terceiro porque ainda não encontrei a edição.
E não é só: como os artigos cobrem um longo período de tempo, parte da graça da leitura é verificar as datas (e notas), e o contexto em que tal opinião foi dita, e como se modifica com o passar dos anos. 

Confesso: minha maior diversão foi acompanhar a evolução das ideias de Olavo em relação aos EUA.
Isso porque os artigos começam lá em fins dos anos 90, com o autor ainda residindo no Brasil (consta informação que mudou-se para os EUA em 2005), e quando no Brasil já tinha "Lula", mas os EUA ainda não tinha "Obama". Pinçado em trechos dos vários artigos, foi interessante observar a mudança do olhar, tão mais crítico à medida que se tornava tão mais parecido com aqui.

O livro cumpre o que promete.
Inúmeras vezes me senti "a idiota" a quem o livro é dedicado. Agarrava o texto e lia ainda mais, deliciada em entender (ou, de alguma forma, comprovar) como me fizeram de idiota sem a minha permissão.
Porque sou aquela pessoa que não é de direita, tampouco de esquerda, mas estou sentindo na pela a mudança de valores sociais e o descaso com tudo o que sempre foi considerado belo e importante. Sou aquela pessoa que se sente com a inteligência subestimada, subtraída, diante de absurdos apresentados como "politicamente corretos", sem saber de onde saiu essa horda de pensamento pré fabricado, nem porque tanta gente hoje parece raciocinar de um jeito tão programado quanto um robô.

Manipulação de massa.
Formação artificial da opinião pública.

Deixei o benefício da dúvida, para as (poucas) coisas que o autor refere, mas eu ainda não constatei "ao vivo" na minha (limitadésima) vidinha cotidiana.
O restante - a maior parte de um livro de 600 páginas -, foram feitos de puro alívio e muito esclarecimento. Quase tudo, já tinha constatado - com surpresa -, até no meu próprio simplório cotidiano.

E agora... continuo não sendo nem "de direita", tampouco "de esquerda", mas com sorte, uma releitura oportuna e pausada, muita reflexão e leitura complementar, no caminho de me tornar um pouco menos idiota. Encontrando, devagar, onde estão e de onde falam os rebeldes desse (detestável) "Admirável Mundo Novo".






quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A 5ª ONDA, de Rick Yancey

UAU, isso sim é um livro de aventura!

Quem gosta de ufologia, mesmo tão leigo quanto eu, sabe que não faltam teses sobre a vida alienígena: são mais evoluídos do quê nós? São figuras grotescas, enormes insetos beligerantes? Ou são deuses astronautas, quiçá nossos pais ancestrais?
E nem mesmo aqueles que nunca se interessaram pelo assunto, estão isentos de formar opinião: depois de muita controvérsia, preconceito e ridicularização, os (poucos, e) polêmicos astrônomos defensores da existência de vida alienígena finalmente conseguiram comprovar que a Terra não é o único planeta no universo. E, em menos de década, foi confirmada a existência de um número incalculável de planetas, muitos deles potencialmente capazes de manter vida.

Mas a verdade é que não temos confirmação de vida alienígena inteligente... AINDA.
E no oceano de hipóteses plausíveis, talvez a teoria mais aterradora seja a que sugere que a extinção dos dinossauros tenha sido orquestrada por alienígenas, a fim de criar um mundo ideal para a sobrevivência e desenvolvimento de uma nova raça: os humanos. E no mesmo raciocínio, a de que alienígenas poderiam voltar para repetir a façanha, desta vez extinguindo os humanos para criar o mundo ideal de alguma nova espécie.

Esse é o tema de A 5ª ONDA, uma ficção científica sobre a temível invasão alienígena. (Leio em português, na tradução de E. Siegert & Cia Ltda [Edite Siegert Sciulli], edição de 2013 da Editora Fundamento Educacional Ltda).

Mas o que prendeu a atenção, foi mesmo a narrativa.

Quando a história começa, a "quarta onda" já é uma realidade, a tragédia maior já aconteceu, e só saberemos como cada precedente onda de extinção em massa aconteceu, na medida em que os personagens buscam das suas razões para sobreviver.
Isolamento e insegurança são a realidade dos poucos que ainda vivem. Tudo é muito rápido e intenso na narrativa do autor, não houve tempo para assimilar a mudança e a tragédia. Também nós, leitores, ficamos com a sensação de imergir em um pesadelo, sem previsão do quê pode acontecer na próxima página.

O autor é muito feliz ao dispensar longas descrições das calamidades, do mundo destruído e abandonado, da mesma forma como dedica pouco tempo às memórias de perda e sofrimento. Verdade que todos esses temas estão lá, inseridos no texto, mas de forma sintética, rápida, intensa.
É perfeito, porque qual de seus leitores, contemporâneos, não tem todas e muitas outras destas imagens firmes na imaginação, resquício das centenas de livros e filmes de ficção científica da produção de um século sobre o mesmo tema?
A 5ª ONDA é instigante, porque usa todo o imaginário que o leitor já possui, e constrói a história a partir dele.

Porém... diz a orelha do livro, que se trata de uma trilogia.
E... o (primeiro) livro termina no meio da história!

A primeira aventura termina com um questionamento instigante: duas espécies inteligentes podem coexistir no mesmo planeta?

Mas preciso dos demais volumes para saber como a história termina.
Confesso que fiquei um pouquinho frustrada...
Prá mim, um texto longo que, para ser editado, foi dividido em três livros, não é uma "trilogia". (No meu entender, "trilogia" são três histórias sequenciais, cada qual completa em si mesma).  E não resisto ao desabafo de leitora chateada que, depois de me apaixonar pela história, a vejo parar no meio sem ter ideia de quanto tempo terei que esperar até que chegue na loja os próximos volumes.
Pois desta vez, é diferente de A HORA DAS BRUXAS (Anne Rice), ou O BAILE DAS LOBAS, de Mireille Calmel, que todos os volumes já estavam publicados e disponíveis quando li o primeiro, foi só correr na livraria e comprar o seguinte. Agora, não tem jeito. Terei que esperar o lançamento dos outros volumes... que chato!
O pior é saber que vou esperar, até com certa ansiedade.
A história é ótima, a narrativa é veloz, a leitura é de tirar o fôlego e atiçar a imaginação!