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domingo, 3 de março de 2013

A BÍBLIA ENVENENADA, de Bárbara Kingsolver

Para aqueles que, como eu, gostam de histórias ambientadas da África, melhor ainda se houver choque de culturas, com americanos ou europeus que tentaram construir uma vida aventurando no continente negro, esse livro é simplesmente ex-cep-ci-o-nal!

A ficção narra a história de um pastor norte-americano, meio fanático, que decide imigrar para o Congo com toda a sua família - esposa mais quatro filhas, só mulheres -, sonhando com uma missão missionária, decidido a fundar uma pequena igreja e converter a tantos quanto puder. O pastor segue com sua família. A história de fundo, porém, é a luta do povo congolês para manter sua liberdade, sua cultura e tradição.

A narrativa é na primeira pessoa, contada pela filha caçula, uma criança com algum poder de vidência, extrema sensibilidade e uma característica especial. Ela quem narra as expectativas ambicionas com que a família partiu, a mudança extrema de culturas e das tentativas de adaptação, a rejeição às idéias de seu pai e a lenta desagregação da família até um trágico, mas ao mesmo tempo esperançoso, final.

Difícil encontrar um épico narrado pela voz feminina, mas é o caso deste livro.
Uma daquelas narrativas eletrizantes, envolventes, que não consegui parar até terminar de ler.
Até hoje, um dos meus livros preferidos.


OS FILHOS SECRETOS DE DEUS, De Annette Bruhns e Peter Wensierski

Enquanto aguardamos a eleição do novo Papa, e os jornais passam matérias diárias dos nomes mais cotados, vale a pena constar de mais um livro sobre a questão polêmica da Igreja Católica: OS FILHOS SECRETOS DE DEUS, De Annette Bruhns e Peter Wensierski, que li com tradução de Elena Gaidano (editora Nova Era, 2004).

Este é um livro bem diferente de EUNUCOS PELO REINO DE DEUS, que já comentei.
Mas são dois livros que se completam.

"EUNUCOS" trata com profundidade, sobre como o celibato se formou como conceito de santidade (?) dentro da filosofia pagâ, absorvida pela Igreja, e da deturpação de seus conceitos no decorrer da Idade Média. OS FILHOS, por sua vez, traz uma visão contemporânea (e um tanto tendenciosa), sobre ós filhos de padres e dos preconceitos que enfrentam, da luta de suas mães pelo reconhecimento judicial da paternidade e pelo direito de receber pensões alimentícias, e das famílias que vivem camufladas em funções sociais para permanecerem unidas sob a tolerância da comunidade a que pertencem.

O livro tem sua narrativa sustentada por depoimentos, entrevistas e algumas (corajosas) fotografias.

E eu o li, construindo uma opinião sobre perguntas que se alternavam: porque um homem decide ser "padre"? E porque, mesmo, os padres não podem casar? Com todos os escândalos de pedofilia e homossexualismo que invadem a mídia, será possível que a batina seja, ao menos na atualidade, um esconderijo seguro para homens que não desejam mulher? E será que os católicos do mundo estarão prontos para considerar como santificado, um homem com família, depois de tantos séculos?

O livro não responde nenhuma pergunta. Ao contrário.
É um destes livros que tem, por mérito, levantar questões sem respostas.
Mas, como dizia no canal da televisão educativa... Não são as respostas que movem o mundo. O que move o mundo, são as perguntas.

E que venha o próximo Papa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

EUNUCOS PELO REINO DE DEUS, de Uta Ranke - Heinemann

Amanhã, quinta feira dia 28 de fevereiro de 2013, o Papa oficializa sua renúncia, a primeira em seiscentos anos, em meio a uma sucessão de escandalosas denúncias de abusos sexuais, pedofilia e corrupção que chegaram à mídia de todo o mundo cristão. Segundo as profecias de Malaquias, tempos difíceis aguardam pelo próximo (e último?) Papa, à Magna Igreja que já teve tanto poder, e tribulações para toda a humanidade. Novos tempos, novas profecias, novas realidades.

Por isso, não poderia deixar de lembrar do mais bem documentado livro que já li sobre a sexualidade vista pela Igreja Católica, sobre como a opinião deste ou daquele catedrático religioso medieval em escritos dos mosteiros esquecidos no tempo, mas radicais em seus preconceitos, moldariam por séculos o destino de milhões de pessoas, mergulhando o mundo ocidental nas trevas do fanatismo.

O livro que tenho, é antigo.
As informações bibliográficas informam que o original é de 1988. Meu volume é a 3ª edição brasileira (pela editora Rosa dos Tempos, tradução de Paulo Fróes), não encontrei o ano de impressão, mas eu o ganhei em 1996.

Uta Ranke-Heinemann foi considerada uma das maiores teólogas do mundo, e dispôs de tempo, recursos e acesso a uma coleção de documentos, teses e estudos medievais, aos quais nós - pobre mortais! -, jamais saberíamos a existência, não fosse por este livro.

Ao publicar EUNUCOS PELO REINO DE DEUS, Uta Ranke-Heinemann perdeu sua Cátedra na Universidade de Heidenberg. Lendo o livro, não é difícil entender o porquê. Fortemente documentada, ela analisa desde as raízes pagãs do pessimismo sexual cristão, passando pelos teólogos pré e pós Agostinho, um capítulo inteiro sobre a evolução do celibato com seu medo e da supressão das mulheres entre celibatários, a formação do conceito do "sexo sem pecado", feiticeiras, Lutero, a moralidade jesuítica, terminando com os temas da modernidade: o controle da natalidade, o aborto, o onanismo, a homossexualidade, e a teologia moral do século XX.

Mas ao contrário do que se possa imaginar, o livro não induz a nenhum tipo de "teoria conspiratória", nem faz descrer em qualquer fé que porventura se possua. Uta Ranke-Heinemann traça uma cronologia perfeita, desde a origem pagã até os conceitos da modernidade. E em cada período, destaca como e quando cada idéia se tornou falsa, não por falta de fundamentos, mas pelo radicalismo de alguma interpretação.

Ao ler o livro, não ficamos com raiva de ninguém, de nenhuma instituição. Mas somos obrigados a pensar porque, de forma tão persistente e até hoje, associamos a idéia de perfeição como algo antinatural, e como isso deixa cada um de nós, vulneráveis a acreditar em bobagens ditas com persuasão. (Como dizem os psicólogos, o grande problema com os paranóicos, é que sempre tem uma dúzia de neuróticos que acredita...).

Como sociedade, podemos até alardear que em tempos modernos, superamos (em parte) tabus da sexualidade, aqueles tratados neste livro. Mas vamos pensar melhor: já abandonamos a idéia de que a perfeição é antinatural? Que é melhor andar de carro, ao invés de caminhar? Ou prolongar artificialmente a vida, ao invés de morrer com dignidade? Quem teria a ousadia de criticar o ícone da modernidade, shopping centers onde a luz natural nunca entra, onde o ar é fornecido por máquinas, onde nenhuma planta cresce e nenhum animal poderia viver?

Mas tornando desejável e idealizado aquilo que não é natural, é necessário reprimir e impor sobre a maioria, o radicalismo de poucos. Todos sabemos que a depravação é consequência lógica da repressão. E não faz diferença se a repressão é justificada em nome de "deus", da "ciência" ou "da maioria". Na natureza (e não somos todos, animais da natureza?) não há justiça, há consequências. Não há leis, há causa e efeito. Não há "o melhor", há o necessário. Não existe maioria, existe diversidade. Porque é tão difícil aprender que não existem linhas retas na natureza?

EUNUCOS PELO REINO DE DEUS, um livro que abalou a igreja, um trabalho respeitado graças à erudição de sua autora e o incrível levantamento de dados documentais. Polêmico, profundo e inesquecível.  E que venha o novo Papa.


Com a contribuição de um leitor (vide comentários abaixo), existe uma disponibilização por internet em:
https://docs.google.com/file/d/0B5zRugIt6DkLd2VyTGxieHptT1k/edit?pli=1


Também encontrei um trecho do livro disponibilizado em
http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&ved=0CEUQFjAD&url=http%3A%2F%2Fxa.yimg.com%2Fkq%2Fgroups%2F23482202%2F870775515%2Fname%2FRANKE-HEINEMANN_raizes%2Bpagas%2Bdo%2Bpessimismo%2Bsexual.pdf&ei=Iq9NUsjsL4zxrAGQuIFo&usg=AFQjCNF9NIJgp9do4sbwr7PWEqHM12s4oA&sig2=9ExdKGcie-rmg-XK6BSBBg&bvm=bv.53537100,d.eWU
(Acesso em 03/10/2013 às 15:00 hs)










AS MULHERES FRANCESAS NÃO ENGORDAM, de Mireille Guiliano

Fiquei na dúvida: coloco como título "MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA", ou como livro prá comentar?
Bom... fica como livro.
Mas desta feita, bem podia ser crônica do "Manual"!



Março tá chegando, daqui a pouco começa a pós, e não tem jeito: vou ter que fazer uma dietinha básica, devolver aqueles quilinhos a mais que a preguiça e festas de fim de ano deixaram comigo ali junto com os presentes.


Mas tem seu lado bom: no quesito "dietas", fiz da minha vida adulta uma persistente experiência.

Sabe, sou filha temporã, nascida quando minha mãe já completava seus 40 anos. E ela contava que, nesta época de maturidade, gravidez tardia & coisa & tal, engordou lá uns quatro ou cinco quilos acima do peso que considerava ideal, e não conseguia perdê-los, de forma alguma. Foi quando decidiu aderir a uma dieta, que na época era um modismo caro e chique, através e com acompanhamento de um médico de renome na cidade, e que prescrevia (os hoje famosos) medicamentos "tarja preta". Como prometido, mamãe emagreceu rápido, ficou alguns meses no peso ideal... e então engordou tudo de novo e mais um pouco. Mas ela não desistiu: retornou no médico, fez novamente dieta (cara), emagreceu... e alguns meses depois do tratamento, já estava engordando, tudo, de novo e mais um pouco. Nunca mais livrou-se do efeito sanfona, a dada altura desistiu das dietas caras, tentou reeducação alimentar e mais uma dúzia de opiniões, até que cansou da batalha e aceitou um corpo obeso. Na esteira da família, história similar, veio minha irmã mais velha. Três gestações, e então a história se repetia, também ela uns quatro ou cinco quilos acima do peso, a mesma fé na palavra dos médicos, a mesma dieta com prescrição "tarja preta". Também ela emagreceu rápido sob efeito da medicação, e terminado o tratamento, engordou o que havia perdido e outro tanto a mais, e a novela se repetiu.
Passei infância e adolescência assistindo às dietas e aos remédios, primeiro minha mãe, depois minha irmã. Quando me tornei adulta, já existia a mística na família de que "temos tendência à obesidade". Nunca confrontei ou discuti a opinião delas, mas em silêncio desconfiava mais da tal prescrição médica, do quê acreditava em uma explicação "genética". E decidi que, com quilos a mais ou a menos, o tal remédio "tarja preta", eu não iria tomar. Não encontrei (na verdade, pouco procurei) pesquisas que indicassem a possibilidade do aumento da obesidade como consequência dos remédios que prometiam combatê-la, mas mantive a desconfiança.

Também eu, no passar dos anos, engordei (e emagreci) os tais "quatro ou seis quilos", igualzinho ao restante da família. Motivos prá engordar nunca faltam: gestação, stress, tédio, problemas cotidianos, contas que não fecham... qualquer coisa pode detonar o prazer supremo de afogar frustrações na comida. E quando menos espero, o espelho denuncia a calça justa e a blusa torta, e pareço cansada nas mesmas atividades, como se carregasse pesos nos pés. Mas nunca tomei a tal "tarja preta". Coincidência ou não, também nunca engordei além desta média.

Foi numa época destas que encontrei a reeducação alimentar que funcionou comigo, sugerida pelo livro AS MULHERES FRANCESAS NÃO ENGORDAM, da Mireille Guiliano.

A edição brasileira (pela Editora Campus) é de 2005, e eu o comprei ainda lançamento. Gosto dele porque... bem... não é uma "dieta", e sim uma imersão em outra cultura. Não diz o quê fazer, mas "como" fazer, partindo sempre do pressuposto que mais amo na vida: EQUILÍBRIO. A verdade é que desconfio de qualquer dieta que procure "culpados", que exclua uma classe de alimentos enquanto venera outra. Ou que supervalorize somente a alimentação, quando eu sei bem que os sentimentos também pesam na balança. Ou que só compute válidos os exercícios feitos em academias pagas, desprezando as escadas dos prédios, as calçadas das ruas e a faxina de casa que estão aí prontas para ajudar, e de graça!

Já li duas vezes, o livro da Mireille. Depois, eu o guardei na estante, por anos. Tanto tempo, que já esqueci parte do que li, o que é muito bom, pois agora posso ler de novo, assim como se fosse a primeira leitura de um livro indicado por alguém. Mas algumas de suas colocações, nunca esqueci, porque parecem sirenes anunciando que estou traçando o caminho do exagero.

Há uma passagem do livro, em que ela compara americanas versus francesas, afirmando que as americanas comem muito de poucas coisas, enquanto as francesas comem pouco de muitas coisas. Essa observação foi uma luz! Não sei sobre americanas ou francesas, mas olhando prá mim mesma, não é que ela tem razão? Observei que quando estou cansada/entediada/endividada ou outro "ada" ruim, fico com preguiça de cozinhar. Então, começo a repetir os mesmos pratos, mais das vezes reduzo até para uma única opção, que se repete e repete em várias refeições. E na mesma proporção em que cozinho o mesmo tipo de refeição por duas, três, cinco ou dez vezes seguidas, também preparo porções que vão aumentando de tamanho, devagarinho, um circulo vicioso: a tensão cotidiana transformando-se em preguiça de cozinhar, que se transforma em porções cada vez maiores da mesma comida, com os mesmos temperos e o mesmo preparo, tudo virando rotina e instalando um tédio alimentar que só faz engordar.

O livro quase não traz receitas, nada de contagem de calorias, diagramas ou qualquer outro sistema chato e cansativo. Ao contrário: ensina prazeres, incentiva que se cozinhe a própria comida pesquisando temperos frescos, frutas da estação, iogurtes feitos em casa, sabores, texturas, perfumes. O lema poderia ser sumarizado: reduzir porções e aumentar sabor. Degustar com prazer, ao invés de engolir sem pensar. Não abrir mão de nada, não exagerar em coisa alguma, não se empanturrar jamais.
Nada de pensar em fazer dieta, como quem se auto-flagela, um "castigo" porque comeu demais.
Dá prá pensar diferente, como uma imersão em elegância, equilíbrio e sofisticação, e tudo fica "trés chic"!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA DO SÉCULO XXI

... onze e meia da noite, já escrevi um pouco sobre meus quadrinhos favoritos, mas o sono ainda não chegou. O silêncio é total, agora. Não há um carro passando na rua, um vizinho falando alto, um rádio ou televisão que consiga ouvir daqui. O guarda noturno passou, apitando ao longe. Boa noite, eu também estou acordada, sabia? Mas até os cachorros já dormem, esqueceram de mim. A cama está pronta, a luz acesa, mas perduro um pouco mais esse momento. 

Eu gosto do silêncio. Sempre gostei. Parece que me encontro nesse vazio de ruídos, como se o tempo parasse para me deixar ouvir sensações. Na madrugada, não há relógios computando o tempo, e o amanhã ainda não me pertence. A noite é feita de fantasia, de livros ainda não lidos, de telas brancas à espera de uma idéia, dos trabalhos inacabados aguardando completude.

De tempos em tempos, tiro prá mim uma noite de insônia. Funciona como uma desintoxicação de pensamentos, escrevo & escrevo & escrevo sem qualquer propósito, apenas para que todas as coisas que ficaram trancadas e incomodam, tenham voz e possam sair. Como olhar o próprio poço para dar nome aos demônios, entende? Vou coletando sentimentos, aquele momento de raiva que engoli e no lugar do palavrão, sorri. Monalisa, educada. Aquela frustração pequena, tão insignificante que não dei qualquer valor, mas que permaneceu no mesmo lugar, como uma erva daninha que se recusa a morrer e contra todas as probabilidades, cresce. As idéias bacanas e acumuladas à espera de um tempo vago para ser realizadas, e que serão simplesmente esquecidas se, pelo menos, eu não as anotar. A opinião guardada, porque inconveniente. A recusa em aceitar a vida como ela é, porque sei que poderia ser tanto mais.

O silêncio é como uma mãe que guarda segredos, uma deusa que não se revela.


Quadrinhos eróticos de MANARA

Prá terminar a série "histórias em quadrinhos", não poderia deixar de nominar MANARA.

Descobri por acaso... Estava passeando pelo sebo, pleno domingo de manhã, tentando achar algo interessante para ler. Rodei prateleiras até cansar, mas nenhum livro "bateu" nos olhos, com aquela ansiedade "não posso viver mais um dia se não ler isso hoje!".

Foi quando vi o volume EL GAUCHO, com um desenho lindo de Manara na capa (texto de Pratt). Dei uma folheada, e fiquei encantada com os desenhos. Lindos! Não bastasse isso, era uma reconstituição de época! Comprei.

Os desenhos de Milo Manara são considerados (e vendidos como) eróticos.
Fiquei pensando como "erótico" é um conceito algo pessoal.

Erótico, prá mim, será sempre poster da Playboy em oficina mecânica de bairro, sabia? Havia um contraste entre as oficinas mecânicas "de antigamente", com toda aquela bagunça reinante, graxa, peças, um ambiente essencialmente masculino, e aqueles posters de revistas masculinas, lindas mulheres coladas na parede. Acho que levei pro resto da minha vida, essa sensação de impropriedade, como o conceito do erotismo.

Explico isso, porque sempre me soa engraçado, quando definem "erótico" um livro com desenhos primorosos, que será convenientemente lido e guardado com carinho, nas prateleiras da minha estante. Lembra as aulas de modelo vivo da faculdade de artes, os nus de grandes telas, que são para mim algo sensual, bonito, de bom gosto... mas carecem daquele elemento a mais, o fator de contraste, que associei ao erotismo de forma tão definitiva.

Seja como for, tenho pouco acesso a trabalhos do Manara, aqui da minha longínqua cidade. Então, comprei também os três volumes da história dos BÓRGIA, com texto de Jodorowski (este, conheci o trabalho através de um namorado/amigo há alguns anos, e gostei). Outro trabalho lindo, controvertido, um tanto mais pesado para a violência do quê para a sensualidade. Também descobri que Manara tem um tarot, mas esse só consegui ver, o quê existe disponível pela Internet. Que pena.

Manara...
Quando crescer, quero desenhar assim!






Complementando:
Prá quem é fã de MANARA, assim como eu, lembro que o desenhista tem uma página no facebook.
Esta semana (agosto de 2013), publicou um desenho da CAVALGADA DAS VALQUÍRIAS (possivelmente baseado na ópera de Wagner, não é?) que reproduzo aqui, junto com o link do autor.


MANARA - Cavalgada das Valquírias

Para ver mais obras de MANARA, siga por:
https://www.facebook.com/pages/Milo-Manara/199552600089066


RE BORDOSA, de ANGELI

Mas como falar de histórias em quadrinhos, e não falar da RÊ BORDOSA?

Prá quem não conhece (será possível que alguém não conhece????), a RÊ BORDOSA era uma personagem do Angeli, a bêbada pau dágua incorrigível, hilariante, marca da minha adolescência, e personagem que amo até hoje.

Rê Bordosa tem aquela veracidade, a sinceridade rasteira dos bêbados. Na época em que descobri os quadrinhos, eu tinha um botton que dizia AINDA VOU RIR DE TUDO ISSO!, que costumava colocar na blusa antes das provas, exames, noites insones em cima da prancheta de projetos, vestibulares, amores frustrados, falta de dinheiro e tudo o mais que atazana nossa juventude, e a gente teima em esquecer à medida que vai ficando mais velho.

Naquela época, já imaginava que seria assim, e pelo menos para mim foi auto-profecia. Meus vinte anos foram medíocres, mas os trinta foram muito melhores, e assim por diante. Ás vezes, quando reclamo da vida, tento lembrar daquilo que passou, prá ter certeza que apesar dos percalços, o que eu queria mesmo era essa liberdade (de opinião, financeira, de escolha) que só a maturidade nos traz.

Pois era isso que a Rê Bordosa significava para mim, com sua graça rasteira, sua banheira compartilhada e a palavra impensada, o cabelo espetado, vestido tubinho preto e aquele gestual de coxia de teatro. E suas gírias, trago até hoje... zuzo bein? Zei láh!