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sábado, 11 de janeiro de 2014

AZAZEL, de Isaac Asimov

Foi a segunda vez que li o AZAZEL, de Isaac Asimov, num volume que me foi emprestado de um amigo (e, vergonha... ainda não devolvi!). Mas, talvez, seja porque não me conformo que Asimov não seja tão genial ao escrever humor, quanto na ficção científico. (Leio em português, tradução de Ronaldo Sérgio de Biasi, 2ª edição de 1991 da Editora Record).

AZAZEL é uma sequência de contos sobre um mesmo personagem. Em síntese, o próprio Asimov fez-se personagem, e como tal regularmente convida seu amigo George para jantarem em algum bom restaurante. Sempre tem que pagar a conta, o amigo jamais divide e ainda considera um desaforo a ideia de pagar pelo próprio consumo, mas o faz de bom grado em troca das boas histórias que o amigo confidencia após tomar um número regular de taças de vinho.

As histórias são sobre AZAZEL, um desastrado demônio de dois centímetros que apenas George consegue invocar. A pretexto de ajudar amigos, George usa tais poderes tentando tirar proveito pessoal, mas sempre termina em algum imprevisto desastre.

Assim, o livro reúne dezoito pequenos contos de humor, que mostram uma faceta diferente de Isaac Asimov, agora como escritor de fantasia. Mas o que me deixa curiosa, é que toda vez que leio as histórias, fico com a sensação de que Asimov está "desabafando", com alguma ironia, uma situação pessoal ou de um desafeto. Não encontrei informações para corroborar tal impressão, só a sensação da leitura, de que os personagens, de alguma forma, são todos baseados em pessoas ou em situações reais. Vai saber?



REALIDADES ADAPTADAS, de Philip K. Dick

Porque alguns autores alcançam notoriedade, enquanto outros são relegados ao esquecimento?

Ano passado (que pela primeira vez vi editado em português) encontrei num sebo que pouco frequento, quatro revistas antigas do Isaac Asimov Magazine (volumes 8, 9, 10 e 19). Comprei para ler aos poucos, contos e mais contos interessantes, a maioria de autores de que nunca tinha ouvido falar. Mais de uma vez, pensei... quanta gente já escreveu ficção científica! E quão pouco conheço! Com o ano chegando ao fim, encontrei o livro REALIDADES ADAPTADAS, contos de PHILIP K. DICK (leio em português, tradução de Ludimila Hashimoto, editado em 2012 pela Editora Alep Ltda, São Paulo).

O livro é quase uma homenagem ao autor, falecido em 1982, aos 52 anos, três meses antes do lançamento do primeiro filme baseado em sua obra. Que, aliás, era nada mais, nada menos, que Blade Runner, o Caçador de Andróides - um cult da minha juventude, um filme que adorei e assisti mais de uma vez -. Só isso já era suficiente para que levasse o livro para casa, mas não era só. A apresentação e comentários destacam que os contos de PHILIP K. DICK foram base de vários filmes intrigantes, todos de ficção científica, que assisti, gostei, fizeram pensar, citando entre os sucessos de bilheteria, O Vingador do Futuro (1990), Minority Report - A Nova Lei (20020), e O Vidente.

Porque assisti aos filmes, o livro ficou ainda mais interessante.
Porque são CONTOS, mesmo, assim como aqueles publicados na revista de Asimov, relativamente curtos, instigantes, provocadores, interessantes.

Cada um dos sete contos reunidos, vem precedido de uma breve referência sobre o filme que originou. E os filmes não foram (como estou acostumada a comparar) adaptações da literatura para a película. Fica muito fácil, depois de ler tais contos, entender a diferença entre ADAPTAÇÃO e ROTEIROS, este último no verdadeiro sentido do termo, ou seja, uma obra nova, uma criação a partir da ideia central do conto, com as modificações específicas para a linguagem do cinema.

Em REALIDADES ADAPTADAS estão reunidos sete contos que posteriormente foram base de populares filmes de ficção científica, a saber Lembramos para você a preço de atacado, publicado em 1966 (O Vingador do Futuro/Total Recall, primeira versão de 1990), Segunda Variedade, escrito em 1953 (Screamers, Assassinos Cibernéticos, filme homônimo lançado em 1995), Impostor, publicado em 1953 (filme homônimo lançado em 2001), O Relatório Minoritário, conto escrito em 1956 (Minority Report, A Nova Lei, filme lançado em 2002), O Pagamento, publicado em 1953 (Paycheck, filme lançado em 2003), O Homem Dourado publicado pela primeira vez em 1954 (O Vidente/Next, lançado em 2007), e Equipe de Ajuste, escrito em 1954 (Os Agentes do Destino/The Adjustment Bureau, filme de 2011).

O livro tem ainda um último, e curto, capítulo, reunindo notas explicativas do próprio autor. Estas notas haviam sido solicitadas, à época, pelos próprios editores, para serem incluídas nas coletâneas como uma visão do autor, sobre seu próprio texto, um costume nas edições da época.

De todos os contos, escolho como preferido  O Homem Dourado, 1954 (O Vidente/Next, filme de 2007). Amei a ideia do (lindo!) "homem dourado", o personagem central, que é um humano/mutante, em uma  história que questiona o próximo passo evolutivo da raça humana. Isso foi subtraído no filme, onde o personagem central é apenas um humano paranormal, um "vidente".

Fiquei feliz, portanto, ao terminar de ler os contos e descobrir que O Homem Dourado também era a história que recebeu mais comentários do autor. Fiquei sabendo, então, que John W. Campbell Jr, o editor de uma famosa revista de ficção científica, de nome Analog, só publicava contos onde os mutantes fossem seres bondosos, evoluídos e senhores da situação - como o são, por exemplo, todos os super-heróis com superpoderes, inventados por autores diversos no mesmo período. Os contos de DICK foram rejeitados por esta revista.

Assim, em suas notas, PHILIPH DICK faz uma reflexão, expondo as razões pelas quais discorda dos aspectos emocionais envolvidos no que chama de "poderosa fantasia". Entende, inversamente, que nós/humanidade tenderíamos a receber com estranheza e agressividade o surgimento de "mutantes", e que, a médio prazo, eles se tornariam essencialmente perigosos. Isso, porque o autor não vê lógica em supor que nossa humanidade "evoluída" pudesse ter real interesse em proteger, dirigir ou beneficiar uma versão tosca de sua própria evolução.




terça-feira, 31 de dezembro de 2013

AVATAR, Os relatórios Confidenciais do Mundo de Pandora, de M. Wilhelm e D. Mathison

Assisti o filme AVATAR, de James Cameron, e fiquei apaixonada. Não sei se foi a história propriamente dita, a tecnologia dos efeitos especiais, ou o renascimento do desejo antigo de ser colonizadora em outro planeta. Perdi a conta de quantas vezes vi o filme...

E então, uma tarde qualquer, fuçando um sebo na prateleira da ficção científica, encontro AVATAR, OS RELATÓRIOS CONFIDENCIAIS DO MUNDO DE PANDORA [observando que na capa interna, o título da obra consta como Guia de Sobrevivência do Ativista AVATAR, Um Informe Confidencial da História Biológica e Social de PANDORA), autores Maria Wilhelm e Dirk Mathison (leio em português, tradução de Marcelo Barbão, para a edição de 2010 da Editora Leya)

Fartamente ilustrado, o livro é um achado para quem gostou do filme.

Foi escrito como um Guia de Sobrevivência, o narrador é um personagem com o objetivo explícito de "destruir a RDA", e de quebra, salvar Pandora e nosso próprio mundo. Depois da introdução, onde são expostos os objetivos deste personagem/pesquisador e ativista, o livro aborda a Astronomia e Geologia de Pandora, a Fisiologia e Cultura Na'vi, a Fauna, Flora e tecnologia humana em Pandora. Seguem guia das armas e documentos da malfadada RDA, glossário e até um dicionário Na'vi-Português!

Mas prepare-se: depois de olhar o livro, vai querer ver o filme outra vez.
Impressionante a quantidade de detalhes da cenografia de AVATAR, que se tornam mais nítidos e interessantes depois da leitura desse "guia". Precisei assistir o filme outra vez, se não pelo simples prazer, mas para olhar de novo as montanhas "suspensas no ar", agora que tenho a explicação "científica" para o fenômeno inexistente na nossa terra.

O que achei de mais sensacional, foi que o livro inverteu o que era, para mim, uma velha questão: ler o livro, ou assistir o filme? Geralmente leio o livro primeiro... e nem sempre gosto do filme. Ou assisto primeiro o filme... e fico com preguiça de ler o livro.

Mas o "guia" é diferente. Desta vez, não há uma competição entre livro vs filme, para decidir qual conta melhor a mesma história.

Neste caso,livro e filme se complementam enquanto falam de coisas diferentes. Quase são duas histórias (embora o livro, conquanto "guia", não seja propriamente uma "história"). É mais como espiar as coxias, o que mais foi criado pela imaginação dos autores, mas não "coube" no roteiro do filme. Ou seja, é como entrar em Pandora com os próprios pés. E, sobretudo, um testemunho da riqueza do trabalho criativo, multidisciplinar, do roteiro e da imagem combinados.




HOMENS, LOBOS E LOBISOMENS, As Histórias mais Fascinantes (coletânea)

Ah, as festas de fim de ano e suas noites & mais noites de fogos de artifícios. Lembro com saudade do tempo em que os fogos eram apenas na meia noite de réveillon, só uma grande festa. Porém, nestes últimos três ou quatro anos... um pouco mais a cada ano, são dez ou doze dias de fogos espocando a qualquer hora do dia ou da noite. Mas explico: é que tenho dois cachorros, eles tem medo dos fogos. Se acontece uma vez por ano, se assustam, mas passa. Mas quando acontece dias & noites seguidas, ficam cada vez mais apavorados, trêmulos, ofegantes. Uma dificuldade. Conclusão? Noites de insônia, muita televisão com som mais alto do que de costume, e madrugadas com leituras que pouco tem a ver com o propagandeado espírito de Natal ou de Ano Novo...

Mas somando noites insones e cachorros, que leitura melhor do que os contos sobre HOMENS, LOBOS E LOBISOMENS, uma coletânea com As Histórias mais Fascinantes desta fantasia? (leio em português, tradução, seleção e introdução de Edson Bini, publicação de 2005 da Editora Marco Zero ).


O livro se compõe de uma introdução, do organizador, que expõe uma concepção pessoal do mito. O segundo capítulo, com título EXCERTO DO DICIONÁRIO INFERNAL, DE COLLIN DE PLANCY, reproduz uma pesquisa breve sobre episódios com lobisomens registrados entre os séculos XV a XVIII. Uma nota de rodapé informa que Jacques Albin Simon Collin, falecido em 1881, chamou-se Plancy em razão de sua cidade natal, e foi, em sua época, um folclorista (hoje o chamaríamos de sociólogo), mas passou para a história como um demonólogo, posto que parte substancial de seu trabalho foi dedicado às crenças religiosas exacerbadas do mundo feudal.

Seguem-se dez contos, bem interessantes, de autoria de Guy de Maypassant (O lobo), Henry Hector Munro [Saki] (Gabriel-Ernest), Ambrose Bierce (Os olhos da pantera), Frederick Marryat (O lobisomem das montanhas Hartz), Sutherland Menzies (Hugues, o lobisomem), Henry Hector Munro [Saki] (Os intrusos), Edith Nesbit (A loba branca), Walter Scott (Urso Negro), uma novela de Alexandre Dumas (O senhor dos lobos), e um autor brasileiro, Kenneth. G. Seymour (Lobisomens em São Paulo? Hoje?).

Embora todos sejam interessantes, gostei ainda mais de Edith Nesbit (A loba branca), e Alexandre Dumas (O senhor dos lobos). São duas histórias proporcionalmente longas, com desdobramento pouco previsíveis, que atiçam a imaginação.

Todos são contos clássicos, já em domínio público.

Isso torna interessante observar como o mito do lobisomem modifica com o tempo. Nestes contos, pouco se vê a dimensão humanizada com que o mito é tratado na atualidade. Nestas histórias, o lobisomem é uma fera mágica, e age com o instinto do predador.

Hoje cercados pela artificialidade, a natureza parece um luxo.
É curioso ler contos antigos, porque ali a natureza é selvagem e impõe medo, além do respeito. Viva, forte e misteriosa, encerra perigos letais. São histórias de um tempo onde o homem ainda não conseguia olhar para si ciente de que somos o pior predador do planeta. Uma época onde a sobrevivência também incluía valores como a honra e a lealdade.




domingo, 1 de dezembro de 2013

AS LUZES DE SETEMBRO, de Carlos Ruiz Zafón

Não importa se os primeiros livros de Zafón, agora reeditados, eram considerados como literatura infanto juvenil. As histórias são tão lindas, e a narrativa tão envolvente, que acabo comprando e lendo como quem se dá um presente.

Desde que li A SOMBRA DO VENTO e comecei a acompanhar a republicação de suas histórias que o encantamento é o mesmo. A última leitura, foi AS LUZES DE SETEMBRO (leio em português, na tradução de Eliana Aguiar, edição de 2013 da Editora Summa de Letras).

Desta vez, Zafón aborda o universo dos autômatos, aqueles bonecos famosos no século XVII ou XVIII, que se movimentam por mecanismos tão precisos quanto os de um relógio suíço. E convenhamos: quem já não olhou um destes bonecos, e além da ilusão de que seja dotado de vida, também não acrescentou um mini roteiro de filme de terror, com o boneco ganhando vida e saindo para assustar todo mundo?

AS LUZES DE SETEMBRO são uma visão poética do que, de outra forma, é um filme de terror. Uma família assombrada por uma promessa que mais parece uma maldição, e um espírito maléfico que toma vida através dos autômatos que Lazarus constrói com tanta maestria. Um passado de tragédias que se revela, aos poucos, em um roteiro de aventura.

A sensação de poesia vem da inocência das crianças que, contando a história enquanto lutam para sobreviver apesar do mal que paira como uma sombra na velha mansão, olham as tragédias na vida dos adultos que as cercam. E também neste romance adentramos a ambientes antigos e quase medievais, toda a trama envolta em referências da bela cultura antiga, obras de arte, arquiteturas que fazem sonhar, construções cercadas do silêncio dinâmico da natureza.

Uma leitura perfeita para respirar um pouco e se distanciar do caos da vida cotidiana.



O SOL VERMELHO de Marion Zimmer Bradley

Que alegria, quando encontro algum livro da Marion Zimmer Bradley que ainda não li. Nestas horas que compreendo como minha cidade é mesmo uma aldeia (apesar de ser uma capital, razoavelmente grande), e quantos livros demoraram a chegar sob meus olhos.

Encontrei O SOL VERMELHO campeando sebos, é claro. Acho que era o fim de estoque de alguma livraria, pois o volume ainda não tinha sido manuseado, ninguém o leu. Sei, porque existia falha na edição, páginas que não foram bem cortadas e, em dois lugares, ainda estavam unidas na dobra. Fui eu a separar as pontas ainda uma mesma folha, por isso sei que fui, também, a primeira pessoa a ler o livro.

O SOL VERMELHO é mais um volume da saga de DARKOVER, e conta a história de Jeff Kevin e Auster, amigos separados ainda na infância, um deles darkorviano da linhagem do Comyn, outro um mestiço darkoviano com humano, ambos dotados de poderes paranormais.

O romance aborda preconceitos. Jeff, criado como humano, nunca conseguiu se sentir à vontade em nenhum dos muitos mundos pelo qual passou, inclusive na Terra, onde viveu com seus avós. A primeira parte do livro lembra um pouco a história do Patinho Feio, alguém que não tem uma razão objetiva para não se sentir feliz nos muitos lugares por onde passa, entretanto... sente-se sempre fora de seu lugar, longe da sua gente, embora não tenha ideia de onde seria esse lugar e onde encontrar esse povo, que não conhece mas sente falta. Darkover o fascina, sem que saiba explicar o porquê. Consegue, enfim, um trabalho no planeta vermelho, mas a sensação de estar "em casa" é tão forte, que abandona o trabalho e foge para o planeta, aventurando-se a partir de sua intuição.

Na sequência dos livros, O SOL VERMELHO se passa após a TORRE PROIBIDA, quando a herança genética já foi utilizada a tal ponto, os casamentos familiares tão repetidos, que quase não há mais filhos das grandes casas com poderes telepáticos. Com isso, as Torres quase são desativadas, poucas as crianças habilitadas a operar, e se questiona a possibilidade de substituir a energia ancestral, pela tecnologia e confortos trazidos pelos humanos através do Império.

Mas para que Jeff possa ser uma esperança de renovação nas tradições antigas, é necessário que seus companheiros sejam capazes de superar o preconceito, aceitando trabalhar com um terráqueo sem origem nobre, ao mesmo tempo em que se questiona a necessidade de sacrifício das sacerdotisas superiores e da limitação imposta de que se mantenham em contínuo estado virginal. As tradições precisam ser revistas, sob pena de perecerem como lendas de um passado remoto.

Foi uma leitura interessante, porque embora o original seja de 1979 (leio em português, na tradução de Luciana Mello, edição de 1996 da Imago Editora Ltda), os assuntos são muito atuais: o preconceito que se acirra quando há efetiva necessidade de mudança, e a única opção apresentada significa abrir mão de uma tradição valiosa e significativa. Como conciliar?

Marion Zimmer Bradley parece profética nesse conto de fadas. E com um final surpreendente, bastante positivo. GOSTEI!, delícia, tomara que ainda encontre outros livros não-lidos dela. Por via das dúvidas, sempre dou uma conferida nas prateleiras de qualquer sebo em que entre.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

FILHA DA FLORESTA, trilogia de Juliet Marillier

A escritora Julliet Marilier tem sido aclamada como a sucessora de MARION ZIMMER BRADLEY. Nascida em Dunedin, Nova Zelândia, foi influenciada pela forte tradição escocesa do local.

Encontrei FILHA DA FLORESTA como um lançamento na minha livraria favorita. Com um adendo feliz, considerando os demais lançamentos que comprei esse ano: é mais uma "trilogia", mas desta vez TINHA o segundo volume, FILHO DAS SOMBRAS.

Só descobri sua fama como sucessora da (minha amada autora, lugar especial dentre as preferidas) Marion Zimmer Bradley, ao ler mais atentamente as orelhas do segundo volume da trilogia, ontem à noite. Porque o primeiro volume, quase "devorei" em uma madrugada única, só não terminei porque era dia de semana e, de alguma forma, precisava de algumas horas de sono para conseguir trabalhar no dia seguinte!

Para quem gosta de contos de fadas na forma de romances... para quem é leitor ávido de Marion Zimmer Bradley... para quem ama lendas celtas/ irlandesas/ escocesas, com seus seres mágicos das florestas e tradições ancestrais...
A capa já chama a atenção: uma jovem carregando um galho de árvore, saindo de uma floresta de mato alto, semicoberta por uma longa capa e capuz. FILHA DA FLORESTA, como poderia deixar de ler? (Leio em português, tradução de Yma Vick, edição de 2012 da Butterfly Editora). Lindo! Uma minúscula síntese da história, na capa de trás, tinha as referências de que precisava: seres das florestas, encantamentos, aventura.

Mas pouco prestei atenção nas informações da orelha. Detesto quando no lugar da síntese do livro, resolvem transcrever um trecho qualquer do romance. Para quê transcrever pedaços do livro que já está na minha mão ? Alguém tem dúvida que, depois de ver a síntese da história, darei pelo menos uma espiada aleatória e rápida no texto, para conferir se gosto da linguagem que a autora usa? E... TRANSCRIÇÃO NA ORELHA? Façam-me o favor... se consegui ler a orelha, então este livro não está vedado em plástico e, portanto, posso folhear à vontade. Pulei direto para as referências sobre a autora, de sua forma de acesso às tradições escocesas... e para mim, bastou.

FILHA DA FLORESTA (vol 1) e FILHO DAS SOMBRAS (vol 2) são textos para voar na fantasia. Um terço está escrito, os outros dois terços são da própria imaginação. Ela usa dos contos de fadas como todos nós deveríamos ser capazes de fazer: uma história que é um aprendizado que é uma história. É uma contadora excepcional, consegue colocar o leitor dentro do texto, como se estivéssemos lá, junto com os personagens, acompanhando a aventura.
Mas sua personagem, Sorcha - a sétima filha do sétimo filho -, também é uma contadora. Então, há histórias dentro da história, lendas que são contadas pela voz da própria personagem.

No prefácio do romance, a autora explica que a trilogia é mesmo um conto de fadas versado para adultos. Baseia-se no conto OS SEIS CISNES, também conhecido como OS CISNES SELVAGENS, contados primeiro pelos Irmãos Grimm. A linha mestra da história é uma madrasta, bruxa e malvada, que assume o feudo onde moravam seis irmãos e uma irmã, lançando um encantamento que transforma os rapazes em cisnes. Com a proteção dos seres das florestas, a única irmã remanescente terá uma longa e difícil tarefa a cumprir, para quebrar o encantamento. Uma tarefa que levará três longos anos para ser cumprida, às escondidas, e que a levará na direção da casa de seus inimigos e aos braços de um grande e sincero amor.

Mas acrescento, quanto para mim foi importante, essa leitura, neste momento.
(Quem sabe, também estou protegida pelos Seres da Floresta?)

Para a maioria dos leitores, talvez o romance chame a atenção pelas aventuras da heroína, ou pelo grande amor que se desenrola aos poucos, em meio à adversidade. Ou, quem sabe, pelo ritmo envolvente da narrativa, que realmente prende a atenção.

Mas para mim, não foi assim.

Reclamei tanto, nas últimas semanas, tão cansada e me sentindo afogada em rotina. Está sendo um ano exaustivo, daqueles em que as mesmas coisas precisam ser feitas continuamente, e visto de forma isolada, nenhuma delas parece particularmente importante ou significativa.

Sempre achei a rotina importante, mas não quando sinto que estou afogando dentro dela. Já havia perdido, depois de meses e meses vivendo da mesma forma, a capacidade de me distanciar dos dias sequentes e observar o resultado da somatória das minhas ações. Sentia que estava no limite do cansaço, quando encontrei esse livro.

Ocorre que, em A FILHA DA FLORESTA, mais da metade do livro são as desventuras da personagem, nos três loooooongoooossssss anos que passa tentando cumprir sua tarefa e libertar os irmãos do mau encanto.

Assim como eu, também a personagem imaginou que conseguiria terminar seu fado em pouco tempo, mas a tarefa era mais longa e difícil do que parecia a princípio. Também como eu, o silêncio e a rotina cansativa eram a tônica da tarefa a cumprir. Da mesma forma como acontecia comigo, o longo tempo distorcia a visão do objetivo final, e nenhuma surpresa feliz amenizava a dificuldade que se impunha. Como acontecia comigo, todas as situações inesperadas que surgiam, eram novos problemas e mais dificuldades a resolver. E também para ela não havia nenhuma palavra de motivação além daquelas que pudesse encontrar sozinha, dentro dela mesma.

Então, lá estava eu, dentro do conto de fadas, no meio do percurso sem saber se teria forças para continuar. Uma história que caía como um bálsamo de compreensão para a minha fraqueza. Restaurei minhas forças, ou, ao menos, parte dela. Partilhei de seu silêncio, do esforço para repetir em tédio o esforço necessário, em busca de um resultado que parece desaparecer em um futuro incerto enquanto o tempo parece escoar entre os dedos.

Foi por isso que mal comecei a ler o seguindo volume da trilogia, mas senti vontade de escrever sobre o primeiro, e assim agradecer a palavra sábia que me chega na forma de um conto.

(Quando terminar de ler o segundo volume, FILHO DAS SOMBRAS, volto aqui para comentar!)







Fim de feriado e fim do livro.

A trilogia é uma saga de família.
FILHA DA FLORESTA conta a história de Sorcha, a caçula de sete irmãos.
No segundo volume, segue a história de Liadan, filha de Sorcha.


Não sei se FILHO DAS SOMBRAS segue algum conto determinado, como acontece no primeiro volume. Este tem mais características da Jornada de Herói, cenas épicas e muita ação, daquelas em que os bandidos são "mocinhos", há poderosos que são vilões, e no meio ficam todos os outros que querem vive em paz. E a parte romântica também é muito bonita, lembra um pouco as controvérsias de Romeu & Julieta (Shakespeare), o amor proibido, forte e pleno de desejo, que nesta história é capaz de vencer todas as dificuldades.

Algumas cenas são realmente emocionantes. Sua fantasia sobre endurecer o coração para sobreviver, e o resgate da emoção e da esperança me rendeu tantas lágrimas, que precisei parar porque não conseguia mais ler. O livro enfoca a ideia de pensamento positivo mesclada com magia, invocações capazes de encher a mente com lembranças boas e positivas como um dom e encantamento dos mais fortes. Muito bom!


Enquanto pesquiso mais obras da autora traduzidas para o português, fica aqui o endereço eletrônico de sua página oficial - Juliet Marillier, e de uma fan page no facebook: fan page no facebook de Joliet.


Mas, embora seja uma história completa, é mesmo um livro de transição. A história de fundo caminha para o retorno da bruxa má do primeiro volume, através da força de um filho mago, em uma trama onde guardar segredos só fez mal. Fiquei morrendo de curiosidade para ler o terceiro volume, FILHA DA PROFECIA.

(...)


Encontrar FILHA DA PROFECIA não foi fácil.
Procurei nas livrarias, da minha preferida à mais completa da cidade, passando pelos sebos... nada... a informação recebida é de que a edição está esgotada, na editora.

Já estava quase desistindo, triste, porque a saga é muito bonita, quando, TCHAN TCHAN TCHANM!, descubro o site LÊ LIVROS, onde e-books são distribuídos, e gratuitamente!

Melhor ainda: lá estava a TRILOGIA COMPLETA!

Estou quase terminando a leitura do terceiro volume, tão bom e tão envolvente quanto achei que seria.
A saga continua, terceira geração. Todos os personagens dos livros anteriores, de volta à trama, uma geração mais velhos. Novas responsabilidades, novos desafios, muita magia. Lindo.

A leitura ainda veio, para mim, com um adicional bem vindo: é a primeira vez que consigo ler e-book (acho esta mídia insípida, não substitui o prazer de ler um livro "físico". Mas é uma opção viável, seja pelo preço, ou neste caso, porque não encontro a edição impressa).

Por isso, voltei aqui, para deixar o endereço eletrônico do site, divulgando a quem interessar.
Boa leitura!
(Clique sobre o título do volume, abaixo):

A FILHA DA FLORESTA
O FILHO DAS SOMBRAS
A FILHA DA PROFECIA