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domingo, 14 de setembro de 2014

ARQUEOLOGIA PROIBIDA - A História Secreta Da Raça Humana, de Michael Cremo e Richard L. Thompson

A Teoria da Evolução de Darwin... De forma bem pontual, quase esporádica, já encontrei autores ousados o bastante para questionar a tal "unanimidade", e bem queria entender um pouco melhor do assunto.

Pois encontrei as respostas que procurava em ARQUEOLOGIA PROIBIDA - A História Secreta Da Raça Humana, de Michael Cremo e Richard L. Thompson, mais um presente do site Lê livros. Como sempre, quem quiser acessar o downloud (é gratuito), só clicar na legenda da capa do livro, abaixo:


A HISTÓRIA SECRETA DA RAÇA HUMANA

O livro A História Secreta Da Raça Humana (Michael Cremo e Richard L. Thompson) é a versão reduzida do "quase-compêndio" ARQUEOLOGIA PROIBIDA, dos mesmos autores. A diferença entre os livros é que o segundo traz toda a informação técnica, discriminação dos sítios arqueológicos citados e detalhamento das pesquisas, sendo um livro completo... mas bastante longo.

Já a versão curta - esta que li e recomendo -, não inclui as referências técnicas, apenas cita os sítios arqueológicos e respectivas descobertas, e então segue direto para as conclusões dos autores.

É uma leitura muito interessante...

Uma das minhas curiosidades "de uma vida", é como um arqueólogo pega um caco de pedra ou um pedaço de osso, e consegue datar se tem 3 mil, 300 mil ou três milhões de anos, se é um chipanzé ou um neanderthal, como distingue uma pedra quebrada de uma seta de lança.

Curiosidade satisfeita!
Boa parte do livro A HISTÓRIA SECRETA DA RAÇA HUMANA trata, justamente, de como as provas arqueológicas foram encontradas, identificadas e datadas. Fala dos achados, dos problemas e das controvérsias, tudo numa linguagem acessível para curiosos como eu!

Por falar em provas... o livro trata mesmo é do (árido) trabalho dos arqueólogos "de caco de pedra e osso", os resquícios de milhões de anos encontrados neste ou naquele sítio ainda virgem, hábil á datação. Relaciona descobertas desde o fim da primeira metade do 1800, até os tempos atuais.

No meio de todos os relatos, chega a controvérsia. A tese de ARQUEOLOGIA PROIBIDA é que, considerando a totalidade das provas arqueológicas encontradas no último século e meio, e sendo todas tratadas pelos mesmos parâmetros, há mais provas contrariando a teoria da evolução, do quê confirmando-a.

Explica também, nesta contraposição dos achados, que a Teoria da Evolução de Darwin só vigora nos meios acadêmicos, graças a sistemática desconsideração de todos os achados arqueológicos que se contraponham à "prova" desta teoria. Assim, cada achado que comprova a Teoria da Evolução é validado por critérios que nem sempre poderiam ser considerados científicos, ou mesmo confiáveis, enquanto uma excessiva rigidez é sistematicamente aplicada a todas as provas que indiquem o contrário, até que esta seja desconsiderada, excluída, esquecida ou invalidada.

Disto decorre que a maior parte das provas arqueológicas encontradas no último século e meio não se encontram nos museus ou sequer são estudadas, enquanto uma minoria de achados arqueológicos mal sustentam a teoria tão cara aos acadêmicos. Enquanto abundam provas (desconsideradas) de que o humano anatomicamente moderno conviveu com símios, australopitecos e neanderthals durante milhões de anos, a ciência oficial continua buscando um "elo perdido" que traduza para uma roupagem científica, a velha ideia religiosa de que o humano é uma criação divina recente, e que a nossa civilização atual seria a expressão máxima da superioridade da inteligência das espécies.

Entre tantas informações, fiquei surpresa foi com minha própria ignorância, do quão pouco sabia sobre a própria - e tão aclamada - teoria da Evolução. Já tinha ouvido falar que, conforme essa teoria, o humano anatomicamente moderno teria surgido na África. O que não sabia, é que o prazo estimado são exíguos 100 mil anos, lentas levas emigratórias para a Europa, e só teria chegado nas Américas há 16 mil anos. Li com sobressalto, pois até quem não conhece arqueologia (como eu) há de perceber o conflito, pois as ruínas megalípticas (como as do Triângulo do Dragão, no Japão, ou do Triângulo das Bermudas) já reclamam por uma antiguidade maior!

Então... se alguma vez você (assim como eu) questionou que nós, humanos, estamos sobre essa terra há mais tempo do que pretendem as ciências "oficiais", não perca essa leitura. É MUITO BOM!


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

AN-PU, O Papiro de Wadjet, de Nicole Sigaud

Encontrei AN-PU, de Nicole Sigaud, procurando livros interessantes num bom sebo perto do escritório. Confesso que a capa foi a primeira coisa que chamou a atenção. Já vi muita imagem de deuses egipcios, dos híbridos da mitologia ancestral... mas raro encontrar uma imagem realista o bastante para imaginar o ser vivo. Mas a foto de capa, conseguiu. Estava fisgada.


An-Pu, de Nicole Sigaud

Como adquiri o livro em sebo, não sei se houve reedição comercial, ou se o livro está em venda regular. O exemplar que comprei é edição de autor, numerada e rubricada (tenho agora o volume 29 de 100), impressa em julho de 2008. Indica um endereço eletrônico para maiores informações, que tentei acessar nesta quinta 14/ago/2014 e constou fora do ar (http://www.wepwapet.com.br).

Uma pena, porque a história é muito gostosa, uma fantasia baseada em pesquisa histórica sobre deuses egipcios, sendo o personagem central um híbrido de humano e lobo.

(E eu lá resisto aos híbridos ancestrais? Acho que existiriam... que eram reais... adoro ler sobre isso).

Mas vamos lá!

Wepwawet foi o primeiro deus canídeo do Egito, representou a unificação do Egito no período pré dinástico, conhecido pelos epítetos de "Acompanhante das Guerras", "Abridor de Caminhos" e "Deus Lobo".

A partir desta lenda, Nicole Sigaud criou uma fantasia possível.
A história começa com o nascimento mágico da criança híbrida, salva da morte e vivendo a infância entre lobos. No início do livro, Wep-wa-wet é um lobinho fraco, desengonçado, que com seu corpo deformado não consegue correr e se defender como os outros lobos do grupo. Até que ele faz algo diferente, usa a inteligência e os braços longos e mãos humanas, com resultado superior ao do próprio macho alfa do bando. Entretanto, a vitória resulta em castigo e a quebra da hierarquia acarreta sua expulsão.

Sozinho, sem saber quem de fato é, inicia um um longo caminho enfrentando da rejeição dos dois povos - primeiro dos animais que o criaram, depois dos humanos que o vêem como um monstro. Mas quando tudo parece perdido, recebe a proteção de entidades místicas, e inicia um período de adaptação e aprendizado, passando por aventuras até chegar, enfim, a uma visão para a compreensão das dimensões do mundo, e a série de ocasos que leva o personagem à sua significância histórica.

Acabei de ler essa semana, gostei tanto que decidi postar. Mas ainda não tive tempo de procurar nos googles da vida, se encontro a autora (que é brasileira, pelo que entendi. De Brasília, se for para confiar na dedicatória de quem recebeu por primeiro este livro). Então, vou jogar este post no face, e se alguém souber mais da autora, se tem outras obras ou se o livro foi reeditado comercial... ME AVISE!, agradeço muito!




(...)


Obrigada ao Jones de Souza Filho, o link para acessar mais informações sobre o livro e a história do deus canídeo, é http://www.wepwawet.com.br/ (E É BEEEEMMMMMM BACANA!, vou lá espiar mais um pouco!)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ILUMINADAS, de Lauren Beukes

Ontem terminei de ler o suspense ILUMINADAS, de Lauren Beukes.
Um thriller envolvente (li em download do site Lê Livros, como sempre o endereço eletrônico para quem interessar baixar o livro está na legenda da capa, só clicar!)


Não conhecia nenhum trabalho da autora, mas estava bem recomendado. Na sinopse do site, consta que foi "Eleito um dos melhores livros de ficção científica de 2013 pelo jornal The Guardian e um dos melhores livros de 2013 na categoria Thriller e Mistério pela Amazon. Iluminadas foi também escolhido como melhor livro do ano pela eleição de leitores em diversos sites e clubes de leitura, entre eles o site GoodReads “.


A história é muito bacana: de um lado, está Harper Curtis, um assassino de mulheres capaz de viajar no tempo através de uma velha casa, e assim cometer crimes perfeitos. Doutro lado, está Kirby Mazrachi, a única garota que - quase por acaso -, consegue sobreviver ao cruel ataque do assassino.

E adorei a Kirby Mazrachi.
A personagem lembra um pouco a Lisbeth Salander (a personagem- sobrevivente criada por Stieg Larsson na trilogia Millenium), com sua rebeldia misturada com isolamento, com aquela ponta de comportamento obsessivo, aquela aceitação simples de que a vida a tornou diferente dos demais e não há nada a fazer a respeito disto. E se Lisbeth enfrenta o poder político de uma agência governamental corrupta, Kirby precisa desvendar uma máquina do tempo que não pode ser vista ou compreendida.

É assim que Kirby começa a procurar pelo homem que tentou assassiná-la, já que a polícia nada conseguiu descobrir a respeito, convicta de que é um serial killer e de que será capaz de identificar seu padrão.
Da recuperação à faculdade de jornalismo, e dali para um estágio com um jornalista obrigado a abandonar as páginas policiais pela de esportes, tudo se torna uma sequência para que Kirby descubra as pistas peculiares, quase impossíveis, deixadas pelo assassino junto às suas vítimas.



ILUMINADAS, de Lauren Beukes



domingo, 3 de agosto de 2014

O RETORNO DOS DEUSES, de Erick Von Daniken

As obras de Erick Von Daniken acompanharam a minha vida. Há muuuuuuiiiiiitoooossss anos atrás li o primeiro livro,  ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS, nunca mais deixei de acreditar na existência de vida inteligente alienígena, ou que a Terra já tenha recebido suas visitas.

Hoje, tantos anos depois, acompanho com interesse a confirmação científica de que existem milhões de planetas no universo, e a aceitação titubeante dos cientistas da possibilidade de que vários sejam habitados e, por sua proporção, até mesmo com vida inteligente. E, claro, acompanho também outros livros, autores e programas de televisão sobre o mesmo tema e correlatos, procurando me manter atualizada sobre como essa teoria está progredindo.

Mas não é só.
As teorias de Daniken também trazem informações sobre pesquisas arqueológicas que continuam acontecendo no mundo inteiro. E toda vez que leio livros da teoria dos alienígenas antigos, que percebo com clareza quanto se está escavando, pesquisando e descobrindo... e qual o tamanho da dificuldade que eu, simples mortal, encontro para procurar tais informações em outra fonte. (porque se divulga tanta violência, e tão pouca pesquisa arqueológica? Porque se divulga tanta "pesquisa médica", até aquelas que são pura bobagem... e quase nada das outras áreas de ciência, mesmo quando são tão importantes?)

O RETORNO DOS DEUSES, de Erick Von Daniken, foi mais um presente do site Lê livros.
Tenho encontrado livros ótimos por lá... e irresistíveis, com downlouad gratuito.
Então, como sempre, o endereço eletrônico para baixar o livro, está na legenda da foto de capa.

E vamos ao conteúdo!


O RETORNO DOS DEUSES, de Erick Von Daniken


O RETORNO DOS DEUSES é "quase" uma visão atualizada do primeiro livro, focada nas diversas culturas e religiões antigas onde os deuses "prometeram voltar". Mas também fala das pesquisas recentes, tem fotos dos lugares citados, e comenta como sua tão combatida teoria acaba se tornando cada vez mais plausível, conforme avançam as tecnologias através do século XXI.


Gostou?
Então talvez lhe interesse A INCRÍVEL TECNOLOGIA DOS ANTIGOS, de Davod J Childress, que pesquisa na mesma linha de Daniken, mas focou em objetos de alta tecnologia encontrados em escavações de ruínas de séculos ou milênios passados.

O ÚLTIMO DESEJO e A ESPADA DO DESTINO de Andrzej Sapkowski

Amei primeiro a ilustração das capas, nos dois volumes da Saga do Bruxo Geral de Rívia, de Andrzej Sapkowski. Mas a história não fica por menos: deliciosa, fantástica e envolvente.


O texto tem uma construção curiosa.
Geral de Rívia é um bruxo caçador de monstros, nômade numa terra fantástica onde os monstros estão cedendo espaço à civilização. Por isso, a história é contada como fosse uma sucessão de pequenos contos, cada um uma aventura inteira, e em cada aventura uma pequena informação para o leitor construir, aos poucos, a história deste bruxo incomum.

Para construir as histórias, o autor usa lendas eslavas. Pena que não conheço muitas delas, então várias das aventuras só consegui ler o próprio texto. Porém, outras, eu conhecia, e me diverti com a crítica implícita ou humor inserido no texto. Muito bom!

A saga foi mais um presente do site Lê livros, porque não lembro de ter visto estes livros (ou qualquer outro livro de Andrzej Sapkowski) nas minhas andanças por livrarias e sebos, apesar da história já ter vendido mais de um milhão de livros, quando o exemplar divulgado foi editado.

Como sempre, para quem gostar e quiser ler, o endereço virtual para acessar o download do livro, está na legenda da foto da capa (o download é gratuito).

Agora, vamos às histórias


PRIMEIRO VOLUME
O ÚLTIMO DESEJO

No primeiro volume, O ÚLTIMO DESEJO, conhecemos Geralt de Rívia, um bruxo estranho com poderes mágicos, que se submeteu a um treino tão longo e profundo que se tornou um tipo de mutante. De aldeia em aldeia, num mundo pitoresco, Geralt é um assassino de monstros pronto a ser contratado pela autoridade local.

Suas aventuras tem toques de humor, muita luta, um trovador lascivo, e uma feiticeira caprichosa que se torna sua amiga por um dia e amante por uma noite. Aos poucos, descobrimos que Geralt perdeu sua humanidade para a magia, mas seu último desejo é reencontrá-la.


O ÚLTIMO DESEJO, de Andrzej Saparowski


SEGUNDO VOLUME
A ESPADA DO DESTINO



A ESPADA DO DESTINO, de Andrzej Sapkowiski


No segundo volume, A ESPADA DO DESTINO, conhecemos mais da história de Geralt de Rívia, seus dilemas morais, seus confrontos com os feiticeiros - que criaram os monstros que apavoram as aldeias -, adentrando em um mundo onde nem todos que parecem monstros são maus, e nem todos que parecem anjos são bons...


A Saga do Bruxo Geralt de Rívia tem ainda um terceiro volume, O SANGUE DOS ELFOS.
Mas este, infelizmente, não encontrei no site, tampouco nas livrarias.
(Porém, se encontrar, prometo: leio, e venho aqui contar!)

Mas o fato de existir um terceiro volume, não é problema para a leitura. Esta é uma saga em que cada livro é independente. A única frustração, é aquela sensação de querer mais, e não encontrar.


BRUXAS CELTAS, de Lady Mirian Black

Adorei o livro sobre BRUXAS CELTAS, de Lady Mirian Black. E fiquei ainda mais surpresa quando, impressionada com a melhor pesquisa sobre costumes celtas que já tive acesso, li a orelha do livro e descobri que a autora é brasileira, nascida em São Caetano do Sul. A edição (Ìcone Editora, 2ª edição, São Paulo 2014) é primorosa, uma capa em relevo em tons de marrom, ao mesmo tempo sóbria e chamativa.

O livro é um presente para quem - como eu -, adora o tema, mas não encontrava um livro que reunisse as informações sobre esse povo de forma sequencial: quem são, como eram, onde estavam, no que acreditavam, quais seus símbolos, quais suas lendas.

Esta é a sequência que encontrei em BRUXAS CELTAS... mas com tanta informação, é um livro difícil de resumir.
Então, vou seguir o índice, para dar uma ideia melhor desta abrangência.

Na primeira parte, a autora nos provê de uma série de informações sobre os povos celtas da antiguidade, tantos os que viveram em terras européias (Gália, Àsia, Republica Tcheca, Grécia, Península Ibérica), como os da ilha (Escócia, País de Gales e Irlanda). Depois, analisa os efeitos da romanização e da cristianização sobre o mundo celta - lembrando que a comunidade celta das ilhas não se submeteu a Roma, e só teve seus costumes questionados quando confrontou a cristianização.

Neste mesmo capítulo, ainda mostra as casas celtas, dependendo do lugar e do período onde moraram, os ritos célticos funerários e os monumentos de pedra, estes com ilustrações.

Na segunda parte, a autora delimita a religião celta, seus deuses, a arte de contar histórias, os druídas, bruxas e profetisas, os tesouros e o calendário celta, seus juramentos e suas maldições.

Da terceira à quinta parte, aborda a magia celta, os rituais elementares e o significado de objetos rituais lendários. Na sequência, sexta parte, aborda a demonização das bruxas e da mitologia celta pela Igreja Católica.

A sétima e última parte é um manual para entender a escrita sagrada do Ogam, o oráculo céltico das árvores. Além dos significados de cada letra ogâmica e dos métodos de leitura do Ogam, a autora ainda ensina como fazer o seu próprio Ogam.

Pois é, parei aí.
Agora, quero fazer meu próprio Ogam, segundo as instruções do livro. E quero, junto, decorar o significado de cada letra... e... bem... é por isso que o livro continua ao lado da minha cama, ainda não tive tempo nem de começar. (Mas quando tiver meu próprio Ogam, prometo que volto aqui e posto fotos, ok?)




Gostou?
Então talvez goste de espiar o Malleus Malleficarum, o livro dos inquisidores medievais, citado por Lady Mirian Black em seu livro.

Mas se quiser conhecer mais das histórias da mitologia celta, espie em HISTÓRIAS DA MITOLOGIA CELTA, de A.S. Franchine

Porém, se gosta de biografias romanceadas de pessoas famosas, que em algum momento se depararam com processos medievais de bruxaria, espia em A BRUXA DE KEPLER, de James A. Connor. Este, é uma biografia romanceada do astrofísico Kepler, cuja mãe acabou denunciada por uma vizinha, como bruxa, à Santa Inquisição (daí o nome do livro).

JESUS DENTRO DO JUDAÍSMO, de James H.. Charlesworth

Depois de ler A DINASTIA DE JESUS, fui atrás de outros livros de pesquisa sobre o cristianismo primitivo (judeus cristãos), vistos após as descobertas dos Manuscritos do Mar Morto e das escavações arqueológicas contemporâneas em Jerusalém.

Então, encontrei o livro JESUS DENTRO DO JUDAÍSMO, de James H. Charlesworth, é um livro interessante, bem ilustrado com fotos, diagramas e desenhos, tem uma bibliografia suficiente a quem quiser conferir as fontes de pesquisa (leio em português, na tradução de Henrique de Araújo Mesquita, Editora Imago de 1992) . Mas, talvez por esta mesma razão, parte do texto é dedicado a comparar e opinar a respeito da posição defendida por outros historiadores da mesma linha de pesquisa, dando ao texto um ar "acadêmico", já que muitas destas discussões dizem respeito ao quê creditar e quanto de verdade histórica poderiam ser abstraídos dos textos dos evangelhos, oficiais ou apócrifos.

Por esta razão, meu palpite é começar a ler o livro pela CONCLUSÃO.
Ali está, sumarizado, o parâmetro da pesquisa: as diferentes visões das várias pesquisas realizadas nos últimos duzentos anos, em busca do "Jesus histórico". Citando vários autores e obras, analisa metodologias, a forma como os métodos influenciaram as conclusões, as pesquisas que visavam defender uma visão teológica preconcebida, as descobertas arqueológicas que viraram conceitos de cabeça para baixo, parâmetros que foram superestimados e informações suprimidas pelo bem da ideologia.

Assim, apesar do título prometer uma visão de Jesus dentro do judaísmo, o conteúdo do livro é maior na reflexão sobre o quanto de veracidade se pode creditar ao Novo Testamento, diante das provas históricas e arqueológicas trazidas à luz no último século.



Gostou?
Então talvez lhe interesse ler sobre A DINASTIA DE JESUS, que também aborda a pesquisa sobre o Jesus histórico, após as escavações em Jerusalém.

A DINASTIA DE JESUS, de James D. Tabor

Por volta dos anos de 1990, foram feitas escavações arqueológicas até a Jerusalém destruída pelos romanos na tomada de 70 d.C. Tais descobertas, junto com as traduções dos Manuscritos do Mar Morto, deram novo alento e preciosas informações para a pesquisa do que se costuma chamar de "cristianismo primitivo", ou seja, a reconstituição histórica da época e da pregação messiânica de Jesus Cristo.

Vários livros já foram lançados sobre o assunto, nas últimas décadas. Li alguns, e destes o meu preferido, sem dúvida, é A DINASTIA DE JESUS, de James D. Talbor (leio em português, tradução de Ganesha Consultoria Editorial, edição de 2006 pela Ediouro Publicações).

O diferencial do livro de Tabor, é que a pesquisa parte do cisma teológico criado pelas visões do apóstolo Paulo, para então afastar-se de qualquer tentativa de explicar o fenômeno do cristianismo à luz da teologia cristã contemporânea. Com isso, o texto centraliza a verdade incômoda que dois milênios não conseguem esconder ou negar: Jesus era judeu, seus apóstolos e seguidores primitivos eram judeus, frequentavam a Sinagoga e seguiam a Torá.

Delimitados os parâmetros, o livro condensa a pesquisa em busca do grupo de judeus cristãos do primeiro século, aqueles que foram testemunhas presenciais das palavras de Jesus.

A pesquisa cruza informações de historiadores do primeiro século antes e depois de Cristo, para retraçar o perfil histórico da época: as construções monumentais de Herodes o Grande, a descendência para Herodes Antipas, a dominação romana na Palestina, quais cidades eram importantes na época, o registro das inúmeras insurreições dos profetas do apocalipse contemporâneos a Jesus.

Aos historiadores, Tabor acrescenta o que se aprendeu da tradução dos Manuscritos do Mar Morto. Assim, conhecemos os essênios, uma seita judaica radical e apocaliptica, que interpretando uma profecia retirou-se para o deserto - local por onde chegaria o Filho de Deus, anunciando uma nova era de vitórias e prosperidade, quando as doze tribos de Israel seriam novamente reunidas.

Por sua vez, as escavações em Jerusalém permitem uma visualização do cotidiano daquele povo, entendendo parte do seu cotidiano, rituais de sepultamento e a popularidade de determinados nomes na época (por exemplo, os vários túmulos de "jesus", pois o nome era comum e muito utilizado na época).

Para mim, muita coisa que já tinha ouvido falar, encontraram fonte e registro neste livro.
Tabor compara informações heréticas, registros históricos, pesquisas arqueológicas e os documentos do Mar Morto, para encontrar - ou não - a veracidade dos fatos.
Importante observar que o autor levou quarenta anos de pesquisa, para chegar à conclusões que expõe em A DINASTIA DE JESUS.

Em apertadíssima síntese, Tabor faz nascer do livro um Jesus "judeu" anunciando o cumprimento de uma antiga profecia, divulgada há um século pelo radical grupo essênio: de que dois messias, um da casa de Levi (sacerdotes, neste caso João Batista) e outro da casa de Davi (os reis, neste caso Jesus "Rei dos Judeus"). Juntos afirmam a vinda iminente do Filho de Deus, que desceria dos céus num carro de fogo, ladeado de dez mil anjos, para destruir os inimigos (romanos) e, enfim, reunir em paz e prosperidade as doze tribos de Israel.

Como todos sabemos, a profecia não se cumpriu. João Batista foi degolado, Jesus foi crucificado, e deus não desceu dos céus. Mas o quê aconteceu depois? Tabor reúne os indícios sobre como os judeus cristãos foram novamente reunidos em suas esperanças, por Tiago, irmão mais novo de Jesus, ajudado por Pedro. Reconstrói, assim, um período extremamente conturbado: de um lado, os romanos em perseguição aberta aos insurrectos e tentando destruir os descendentes da linhagem de Davi, concluída com a tomada de Jerusalém em 70 d.C. De outro, o judeu fariseu Paulo, antes perfeitamente identificado com os romanos que perseguiram Jesus, mas que década depois da crucificação, afirma ter visões do Messias e, aparentemente, quer se converter ao cristianismo. Pedindo permissão para pregar aos gentios, Paulo será responsável pelo primeiro grande cisma do cristianismo, desenvolvendo e divulgando uma teologia romanizada que se confronta com o cristianismo primitivo. Entre outras (e muitas) alterações, Paulo muda o lugar do "reino de deus", que deixa de ser em Israel e passa a existir apenas em uma dimensão "pós-morte/paraíso"; o próprio Jesus é divinizado e, de mensageiro, é alçado a ser o "deus renascido", e ainda desobriga os cristãos gentios e incentiva aos judeus que o seguem, para a desobediência às regras da Torá.

A partir de então, explica Tabor, os judeus cristão são metodicamente ignorados, ou perseguidos, até que a seita encontra a extinção. Aos judeus propriamente ditos, a pregação messiânica cristã havia falhado na sua verdade essencial, a afirmada vinda iminente do filho de Deus. Para os novos (e gentios) cristãos, o grupo de judeus cristianizado era ainda mais incômodo, pois eram as testemunhas da adulteração da verdade teológica, inclusive que Jesus era mesmo judeu praticante. Assim, perseguidos pelos romanos, desprezados pelos judeus e confrontados com os cristãos gentios, o cristianismo primitivo seguiu para a extinção e seus registros foram apagados da história oficial. Por isso, a reconstituição feita por Tabor registra, também, a extrema dificuldade em encontrar (ou deduzir) a verdade histórica e a trajetória dos primeiros cristãos.




Gostou?
Então talvez lhe interesse JESUS DENTRO DO JUDAÍSMO, que também trata da pesquisa do Jesus histórico pós escavações em Jerusalém.


NOSFERATU, de Joe Hill

Agora é colocar o sono em dia, depois de duas madrugadas avançando horários e virando páginas, sem conseguir largar NOSFERATU, um épico vampiresco de Joe Hill (leio em português, tradução de Fernanda Abreu, Edução 2013 da Editora Arqueiro, com ilustrações de Gabriel Rodrigues).

É uma obra prima no estilo "Moulin Rouge" - aquele filme de Baz Luhmann, estrelado por Nicole Kidman. No filme, uma das coisas que mais me impressionou, é que recontava a história mais que conhecida da "prostituta apaixonada", na primeira cena a gente já sabe como o filme acaba, e ... o filme é sensacional.

NOSFERATU tem esse jeito de obra prima. Depois que a história terminou, ainda perturbada com a leitura, foi que percebi que a história é uma reinvenção tendo como pano de fundo mais uma história de vampiros, outra vez o herói é um menininho... mas tudo é tão diferente... nada de mordidas afiadas, nada de virgens indefesas... no lugar, o autor colocou uma terrível maldade que se alimenta de inocência, que cresce através da narrativa até se transformar em uma "maldade inocente" como a de uma fera predadora em plena caça.

Então... se você se apaixonou por histórias de vampiros no primeiro ou segundo livro que leu, mas depois cansou das repetições infindáveis da miríades de vampirescos passeando pela prateleira... não perca NOSFERATU, vai amar este livro!

A história gira em torno de pessoas aparentemente comuns, mas que tem poder de transpor a realidade e entrar dentro do mundo imaginário dos próprios pensamentos, a partir de um objeto especial. Tem a menina que consegue achar coisas perdidas, procurando com sua bicicletinha mágica. Tem a jovem bibliotecária capaz de descobrir todas as informações com seu jogo predileto de palavras cruzadas. Mas isso tem um preço, cada vez que o poder é acionado, ele cobra um pouco da sanidade mental de quem o usa. A menina da bicicleta capaz de ir a qualquer lugar, não consegue construir uma vida num único lugar. A bibliotecária das palavras fica mais gaga a cada jogo adivinhatório.  Mas dentre todos, existe um, Nosferatu, cujo poder é maligno. Ele não é um vampiro comum: ele mesmo é a vítima do "Espectro", um carro antigo e misterioso que se alimenta da alma humana. De um homem frustrado, torna-se o vampiro que se alimenta da inocência das crianças, que rapta e mantém numa dimensão fora da realidade, elas mesmas se transformando em pequenos vampiros.

O livro é perturbador, daqueles que a gente não consegue adivinhar onde a história vai parar. Prá mim, duas madrugadas em claro e sair correndo de volta ao blog (andava meio abandonado... vou tentar colocar em dia, os livros lidos estão empilhados), porque precisava contar que livro BOMMMMM que eu li!


NOSFERATU, de Joe Hill

Gostou?
Então talvez lhe interesse FANTASMAS DO SÉCULO XX, uma coletânea de contos de Joe Hill.

terça-feira, 1 de julho de 2014

FANTASMAS DO SÉCULO XX, de Joe Hill

Confesso: baixei o livro, pensando que era um romance. Nunca resisto a fantasmas. E com a Copa do Mundo acontecendo, horários do jogo na cidade mais horários do jogo do Brasil, uma confusão!, eu eternamente distraída, só percebi que eram contos, quando a primeira história terminou e começou a segunda!

Mas não tem jeito.
Não gosto de contos, até ler o primeiro. Então, leio o segundo. E o terceiro.
Quando vi, o livro já tinha terminado, e queria mais!

A primeira história já me pegou de jeito. Ainda não me acostumei de todo a ler no tablet, e não conseguia saber se já era mesmo a história, mas parecia que era o autor comentando como teve a ideia de escrever seu livro. Primeira pessoa, um escritor falando de ideias, livros e publicações, sabe como é? Muito longo para um "prólogo", mas continuei lendo, quem se importa com isso, se a história é boa? UAU!, e como era boa! Virava a página, o tal escritor cada vez mais tenebroso, eu lá afundando embaixo da coberta com uma pontinha de medo. E ficava pior. Poxa, o sujeito é um serial killer!. E continuava a ler.

Então... o sujeito era mesmo um serial killer. Descobri isso quando acabou o primeiro conto.
Quem resiste?
Fui pro segundo. FANTASMA DO SÉCULO XX. E era história de fantasma, mesmo, quem sabe na sala de cinema mais próxima? Fantasma de estimação, que assusta quem não a conhece. Lindo.
Fui pro terceiro. Ah, esse não é uma história "de fantasma", é de fantasia. Lembra, um pouco, ficção científica, sabe? Lembrei dos Asimov, que gosto tanto. Tem aquela estranheza sutil.
Pois é... eu leio contos.


Se quiser conferir (recomendo!), também baixei este livro pelo site da Le Livros. O endereço, como sempre, está na legenda da foto de capa.




FANTASMAS DO SÉCULO XX, de Joe Hill


Gostou?
Então talvez goste também de NOSFERATU, outro livro sensacional de Joe Hill.

CONTATO, AS VIDAS DE SOPHIE, de Érika Bento Gonçalves


Acabei de ler CONTATO, AS VIDAS DE SOPHIE, primeiro romance de Érika Bento Gonçalves, publicado (e disponibilizado gratuitamente) pela Lê Livros. Como sempre, a quem interessar, o endereço eletrônico para baixar o livro está na legenda da foto da capa, abaixo.

Poisintão...já nos primeiros parágrafos, pensei: "a autora é brasileira". Não sei dizer o quê, no texto, era diferente e a identificava como tal. A história não se passa no Brasil. As referências não tinham nada a ver com o país. Mas havia "alguma coisa" a mais, que conseguia identificar.

Mas não foi isso que me "pegou", e fez continuar a leitura.
A história é ótima!

Desde o início, Érika mantém suspense.
A trama começa com Sophie, ainda criança, nas mãos de um pai violento. E quando penso que a autora irá desenvolver uma história de abuso infantil... PIMBA!, um desfecho surpreendente.
Então, lá vai Sophie para um orfanato. E quando penso que irá desenvolver uma história de criança maltratada em instituições públicas... PIMBA!, uma sequência inusitada.

Por isso, já adiantada no texto, quando as visões de Sophie se integram à trama, nem sei mais o quê esperar... e não consigo mais parar de ler.
Podia pressupor uma básica história "espírita", a personagem falando com fantasmas... mas nada era básico, ou previsível, neste texto. Conclusão? Fui comendo as páginas, madrugada adentro, sem nenhum único fantasminha "de verdade" aparecendo na trama, enquanto que as visões de Sophie tornavam-se cada vez mais complexas.
E quase fim do livro, quando as visões são finalmente explicadas, a própria história de vida da personagem já é um outro mistério envolvente. Parar de ler? Nem pensar! Quem disse que consigo dormir, se não souber o fim da história? Tive que ler até o final, claro. É isso que as boas histórias fazem com a gente!



CONTATO, As Vidas de Sophie, de Érika Bento Gonçalves


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Trilogia de Terry Brooks: Ilse, A Bruxa; Antrax, a Criatura e Morgawr, o Bruxo

Quanto mais leio fantasia fantástica, mais descubro quão pouco conhecia de autores e obras, mais leio e mais amo!

E dizer que quase deixei passar essa trilogia simplesmente apaixonante... Procurando no site da Lê Livros, escolhia outra obra por razões bobas: a capa me fez pensar que era literatura infanto/juvenil, e eu não conhecia o autor. Até que a curiosidade me venceu. Que bom! A trilogia é de tirar o fôlego!


Mas, antes, quero colocar algumas informações sobre o autor, TERRY BROOKS, porque só me conformei porque não conhecia o autor, quando fui pesquisar no "santo google" e pouco havia, dele ou de sua obra, em português.

Escritor americano, TERRY BROOKS nasceu em 08 de janeiro de 1944, é um dos mais vendidos escritores de fantasia, com a incrível marca de 23 best sellers do New York Times. Escreve desde que ainda estava no colégio, principalmente nos gêneros de ficção científica, western, ficção e não-ficção. Em entrevistas, credita influência literária a Tolkien e Willian Faulkner. O primeiro livro publicado (com sucesso) foi A Espada de Shannara, em 1977.
 E acredite se quiser, mas descobri também esse é o livro de "lançamento" nas livrarias locais, ou seja, A Espada de Shannara finalmente chega ao Brasil neste ano de 2014 (!), com trinta e sete anos de atraso...


 Enfim... não foi A Espada de Shannara que eu li,
 Pelo site da Lê Livros, encontrei a trilogia ILSE, A BRUXA (vol 1), ANTRAX, A CRIATURA (vol 2) e MORGAWR, O BRUXO (vol 3), todos com downloud gratuíto, quem quiser conferir é só clicar na legenda das fotos de capa, ali inseri o endereço eletrônico.


Ah, uma sugestão: leve consigo os três volumes de uma vez. Ao contrário de outras trilogias e/ou sagas, onde cada volume tem uma aventura inteira e podem ser lidos separadamente, isto não ocorre com ESTA trilogia. 
Aqui, é uma mesma história dividida em três volumes. Nos dois primeiros volumes, a aventura acaba interrompida "de supetão", no meio da história, como fosse um livro grosso que alguém dividiu em três...



Ilse A-Bruxa -A-Viagem, Vol-1, deTerry-Brooks


ILSE, a Bruxa, é o início da história, mas que já começa aventureira. Com Terry Brooks, não há muito tempo para conhecer os personagens, a aventura já corre solta e os personagens já estão no meio da confusão desde o primeiro momento. É nesta narrativa ágil que vamos conhecendo os diversos personagens da saga, cada qual distante dos outros e enfrentando seus próprios desafios.

Embora o livro tenha ILSE como título, esta não é a única personagem que se poderia considerar como principal, mesmo no volume que leva seu nome. Desde o náufrago príncipe Kael Elessedil, irmão do atual rei, que décadas atrás desapareceu em uma expedição em busca da mais antiga e poderosa magia em todo o mundo, ao druida Walker Boh, dos rovers ao jovem órfão Bek Rowe, cada um dos personagens destacados para a perigosa viagem da aeronave Jerle Shannara em direção a terras misteriosas e distantes, poderia ser protagonista da história. Inclusive ILSE, a terrível bruxa que os persegue.



Antrax, A Criatura - Vol 2, de Terry Brooks

O segundo volume da trilogia tem características de ficção científica.
Antrax é uma criação muito interessante. Através da fantasia, Terry Brooks fala da destruição cataclísmica de uma civilização altamente tecnológica, da qual resta Antrax, uma inteligência artificial.
Ficou uma mistura muito interessante: todo o grupo de personagens que segue viagem desde o primeiro volume, são no estilo de uma história de fantasia. Antrax, por sua vez, é história no estilo da ficção científica.
O resultado do confronto, é sensacional!
Mesmo os toques de horror e crueldade desta máquina de milênios, não está fora dos horrores que imaginamos num mundo de energia artificial e sem sentimentos.



Morgawr o Bruxo – Viagem De Jerle Shannara – Vol 3 – Terry Brooks



O segundo volume da trilogia, ANTRAX, tem um final surpreendente (não... eu não vou contar, perderia a graça!).
Mas no terceiro volume, ressurge Morgawr, o terrível e poderoso bruxo malvado que já conhecíamos do primeiro volume, e que agora quer apenas para si todos os tesouros que se imaginava seriam o prêmio da viagem e, por isso, perseguiu todos os demais até os confins do mundo.

Acontece que Morgawr não sabe o que aconteceu no confronto com ANTRAX, apenas nós leitores e os personagens que sobreviveram à empreitada conhecem as surpresas que o embate acarretou. É uma trama muito interessante, porque revê os interesses do primeiro volume, agora integralmente modificados pela experiência do segundo volume.

XEN-TI, não tive como parar a leitura, a não ser quando terminei a saga. Até porque muitos personagens a que me afeiçoei no início da história, sucumbiram de forma heróica ou trágica durante a travessia, e ficava desesperada prá descobrir quem conseguiria sobreviver a tudo aquilo. Ao mesmo tempo, era muito divertido ver a mesma situação e a mesma expectativa, colocada sob tantos pontos de vista diferentes, conforme o personagem ou o tempo que transcorria.

MUITO BOM!, de tirar o fôlego!




segunda-feira, 21 de abril de 2014

A CASA DA FLORESTA, de MARION ZIMMER BRADLEY

Com o passar dos anos, fica cada vez mais difícil encontrar livros de MARION ZIMMER BRADLEY. Com a notável exceção das Brumas de Avalon, os demais só vejo esporadicamente, um ou outro da (minha amada) série Darkover, ou volumes esparsos de alguma de suas trilogias.

Bisbilhotando no site da parceria Lê Livros, encontrei uma história que ainda não tinha lido. Como já indiquei em outros posts, neste site a obra é disponibilizada para download gratuito, e o endereço eletrônico está na legenda da capa, abaixo.

A CASA DA FLORESTA, de MARION ZIMMER BRADLEY




A CASA DA FLORESTA é uma história ambientada na Escócia, no confronto entre a mitologia pagã e a conquista dos romanos. Estava com saudade em ler obras no inconfundível estilo da Marion Zimmer Bradley, e neste ponto a leitura foi deliciosa.

Mas, desta feita, Marion não tem pudor em tecer uma tragédia.
Confesso que passei o livro inteiro à espera de uma reviravolta que não aconteceu. Há algo de triste, desesperançoso mesmo, no amor proibido do meio romano Gaius - ou Gawen,como o chamava sua mãe nativa -, e a jovem Eilan, a quem o destino e a Deusa determinaram fosse a Grã Sacerdotisa em um período tumultuado.

É quase uma história sobre a perda da inocência, dos ideais da juventude, da amargura no final das batalhas. Senti falta da energia pulsante das Amazonas Livres de Darkover, tão frágil na única personagem Caillean, talvez porque o livro tenha por base as pesquisas da dominação romana na Escócia, e todos saibamos de seu final trágico.

A INCRÍVEL TECNOLOGIA DOS ANTIGOS, por DAVID HATCHER CHILDRESS

Já tinha ouvido falar deste livro, acho que em algum programa sobre a teoria dos deuses alienígenas ou algo similar. Mas quantas vezes peguei a referência de um livro, ou um autor que simplesmente não encontro para comprar?

Estava procurando romances de fantasia na Lê Livros, quando passei os olhos por mais este, e não resisti. Tive que baixar o downloud, e se você quiser fazer o mesmo, o endereço eletrônico segue na legenda abaixo da capa do livro, é só clicar. (li em "português de Portugal", na tradução de Marcello Borges, Edutora Aleph, 2005).

A INCRÍVEL TECNOLOGIA DOS ANTIGOS, por DAVID HATCHER CHILDRESS


O livro é tão bom quanto eu queria que fosse. Cheio de curiosidades e fartamente ilustrado (embora algumas ilustrações deixem a desejar, ainda mais porque li no tablet, uma mídia com a qual custo a me acostumar).

O autor traça um paralelo entre a tecnologia atual, e curiosos artefatos encontrados nas escavações arqueológicas, que muito bem indicam a possibilidade de uma tecnologia parecida, ou até mais avançada do quê a que temos conhecimento. Ele segue a hipótese de que a humanidade já foi uma civilização avançada, mas que destruída por um cataclisma citado em todas as mitologias antigas, perdeu conhecimento até retornar a uma "idade da pedra". Confesso que também acredito nisso...

Talvez por isso que, em meio a tantas curiosas evidências de precedentes tecnológicos complexos, tenha sido o capítulo sexto (pg 157 e seguintes), cogitando de uma guerra atômica, o que mais me impressionou.

O autor comenta sobre uma camada de vidro verde, profunda no vale do Rio Eufrates, anterior a escavações indicando civilização "na Idade da Pedra", mas que remete ao mesmo fenômeno no Novo México, resultado de testes de bombas nucleares.

Este vidro é tão antigo, que foi encontrado esculpido na forma do escaravelho, centro de uma das jóias do túmulo de Tutankamon.

Jóia - escaravelho sagrado - encontrada no túmulo de Tutankamon



O mesmo fenômeno existe, similar, em fortes vitrificados da Escócia.

Transcrevo parte do texto:


Incríveis evidências de uma antiga guerra atômica

Esta nota apareceu na edição de 16 de fevereiro de 1947 no jornal Herald Tribune, de Nova York (reapresentada por Ivan T. Sanderson na edição de janeiro de 1970 de sua revista Pursuit):
Quando a primeira bomba atômica explodiu no Novo México, a areia do deserto se transformou em vidro verde fundido. Esse fato, segundo a revista Free World, deu voz a certos arqueólogos. Eles estavam escavando na antiga região do vale do rio Eufrates e descobriram uma camada de cultura agrária com 8.000 anos de idade, uma camada de cultura pastoril muito mais antiga e uma cultura de homens das cavernas mais remota ainda. Recentemente, eles chegaram a outra camada [...] de vidro verde fundido.
(...)

Vidro misterioso no deserto egípcio

Um dos mais estranhos mistérios do anƟgo Egito é o das grandes lâminas de vidro, descobertas apenas em 1932. Em dezembro desse ano, R. Clayton, pesquisador do Egyptian Geological Survey, estava percorrendo uma estrada próxima ao Grande Mar de Areia no platô Saad, uma área praticamente desabitada ao norte da extremidade sudoeste do Egito, quando ouviu o pneu de seu veículo esmagar alguma coisa que não era areia. Eram grandes pedaços de um vidro maravilhosamente límpido, amarelo-esverdeado. 
Na verdade, não era um vidro comum, mas extremamente puro - espantosos 98% de silício. Clayton não foi a primeira pessoa a encontrar esse campo de vidro, pois diversos caçadores e nômades pré-históricos também encontraram o hoje famoso Vidro do Deserto Líbio, ou LDG, em inglês. O vidro fora usado no passado para fabricar armas e ferramentas pontiagudas, bem como outros objetos. Um escaravelho entalhado de LDG foi encontrado até na tumba de Tutankamon, indicando que às vezes esse vidro era usado em joalheria. (...)



Para quem gosta de enigmas da antiguidade, o livro é um prato delicioso, pronto para ser degustado. Cá prá mim, a ideia de que o "apocalipse" não seja uma profecia para o futuro, mas sim uma lembrança do passado distante, sempre foi uma possibilidade. Gosto muito deste tipo de cogitação, parece uma aventura mental imaginar que nossa história é muito mais longa do que afirmam os livros de história, ou refletir quanto se perdeu nas brumas do passado.

AS LENDAS DE IELENA ZALTANA, por MARIA V. SNYDER

Não conhecia esta autora, e só encontrei dois livros de sua autoria, ambos maravilhosos: ESTUDOS SOBRE VENENO (volume 1) e ESTUDOS SOBRE MAGIA (volume 2), que juntos compõem AS LENDAS DE IELENA ZALTANA. (Li em "português de Portugal", na tradução de Maurício Araripe, editora Harlequim, 2011)

Mais uma vez, um livro que não encontrei nas estantes da minha livraria preferida, mas sim na parceria on line da LÊ LIVROS, com a vantagem do download gratuíto. Caso lhe interesse, indico o endereço virtual para baixar os volumes, basta clicar no título do(s) livro(s) na legenda.

Estudos sobre Veneno, vol 1 de As Lendas de Ielena Zaltana, por Maria V. Snyder


Estudos sobre Magia, vol 2 de As Lendas de Ielena Zaltana, por Maria V. Snyder

Gostei do livro antes mesmo de começar a ler, pelos agradecimentos. Esta é uma mania que eu tenho, quando vou ler algo de um escritor que ainda não conheço: leio algo da biografia, geralmente a orelha do livro. E leio os agradecimentos... Já vi autor agradecer seu senhorio por aluguel inadimplido durante o período de construção da obra, mas Maria Snyder agradece, com tocante sinceridade, ao entusiasmo e apoio das pessoas próximas, que leram os originais quando ainda estava construindo a obra. Ela tem razão: tão difícil encontrar esse apoio!

Na internet, soube que o romance, publicado em outubro de 2005, ganhou o prêmio Compton Crook Amard para melhor romance. Ainda não sei se ela tem outros livros, vou pesquisar.

A história é maravilhosa.
Quantas vezes você já leu sobre uma heroína que se distancia do papel "frágil", e enfrenta com coragem os desafios de uma Jornada de Herói?
Ielena Zaltana é assim.


É uma história com um bom tanto de fantasia misturada com muita aventura e, não poderia faltar, uma paixão conturbada.
Contam as lendas que Ielena Zaltana foi sequestrada ainda muito pequena - ela entre outras -, por um bruxo mau. Conduzindo um suposto orfanato, o bruxo aguardava a chegada da adolescência, quando, através de rituais antigos, sugava a magia nascente, tornando-se mais poderoso.
Ielena consegue escapar, mas o preço de sua fuga é a condenação por crime e pena de enforcamento. Por isso, aceita alternativa que lhe é oferecida por Valek, tornar-se provadora de comida da autoridade local. Aos poucos, seus poderes mágicos vão se revelando, mas para ela isso significa somente mais uma sentença de morte, pois bruxos e feiticeiros foram banidos do país. Correndo risco de vida, Ielena e Valek se apaixonam, um amor conturbado, já que ele é um assassino conhecido e um espião perigoso.

No segundo volume, Ielena foi obrigada a fugir do país, com mais uma sentença de morte pendendo sobre sua cabeça. Mesmo sentindo falta do amado, não há outra opção senão seguir a bruxa guerreira para ser devolvida à família, de onde foi sequestrada muito pequena, e assumir a responsabilidade de aprender a lidar com sua própria magia, poderosa e descontrolada. Sua recepção é conturbada, e nem todos a recebem com saudade. Os dois países rivais estão entre a guerra ou um tratado de cooperação, mas Ielena não foge ao centro da confusão, pois é a única forma dos amantes se encontrarem novamente.

Mesmo depois de terminar a leitura, passei dias com as imagens criadas por Maria Snyder nos olhos da imaginação. Os lugares que inventa são tão bem descritos, que a imaginação parece virar uma memória. Quase consigo ver o povo das árvores, os magos poderosos, as lutas sangrentas. Ielena é uma daquelas personagens que dão força à quem lê: corajosa, irônica, determinada.

Outra coisa que gostei na história, foi a construção dos personagens, verossímeis dentro de uma poderosa fantasia, nenhum deles totalmente bom ou mau. Gosto de personagens que tem razões claras para agir como agem, de vilões com boas intenções e péssimas decisões, de heróis que também cometem seus erros.

Adorei Ielena.
Levo-a comigo, desde então.

terça-feira, 15 de abril de 2014

AS CRÔNICAS DE BRIDEI, de Juliet Marillier

Mais uma trilogia de prender o fôlego, de JULIET MARILLIER!

Desta vez, li tudo na versão "virtual", em uma edição portuguesa - pois não existe edição impressa destes livros na minha cidade, e pelo que pesquisei, acho que nenhuma editora brasileira trouxe tais volumes para o meu país.
Então, a opção foi buscar no LÊ LIVROS, com a vantagem do download gratuito.

Assim, neste post, estou acrescentando os links para o download gratuito de cada um dos tomos, basta clicar na legenda da foto de capa, sobre o nome do livro.



A trilogia AS CRÔNICAS DE BRIDEI é composta pelos tomos O ESPELHO NEGRO (1º vol), A ESPADA DE FORTRIU (2º vol) e O POÇO DAS SOMBRAS (3º vol).


O Espelho Negro – Crônicas de Bridei – Vol 1 – Juliet Marillier

A Espada de Fortriu – Crônicas de Bridei – Vol 2 – Juliet Marillier

http://lelivros.a-espada-de-fortriu-cronicas-de-bridei-vol-2-juliet-marillier


A história foi criada com base em lendas celtas, falando do universo dos druídas, magia e seres extraordinários abundantes nesta mitologia secular.

Em O ESPELHO NEGRO, Juliet Mairillier conta que, no século IV, na Escócia, o filho de uma importante sacerdotisa foi entregue aos cuidados do druída Broichan, para que recebesse educação e conhecimento de magia suficientes para mudar o destino de seu povo. O garoto, chamado BRIDEI, passa a viver em uma pequena herdade distante, sem noção da importância de sua pessoa ou do destino que lhe aguarda.

Porém, quando já iniciava a puberdade, Bridei encontra uma bebê, uma criança nascida dos Boa Gente (um povo etéreo, mágico e místico das lendas celtas), e a leva consigo, enfrentando ao druída que considera como um pai severo, e a todos que trabalham no lugar, pelo direito de proteger e criar a pequena - e estranha - menina. Ele dá-lhe o nome de TUALA, e ambos crescem juntos, sem que se saiba se tal improvável amizade trará, no futuro, a ruína ou a salvação de BRIDEI.


Em A ESPADA DE FORTRIU, Juliet Mairillier conta que o Reino de Fortriu, vivendo anos de paz sob o reinado de BRIDEI, agora prepara-se para uma guerra há muito esperada, a fim de banir os invasores galeses. Para firmar aliança militar, a nobre refém Ana viaja para o norte, oferecida em casamento a um importante rei aliado. Sua escolta é conduzida por FAOLAN, assassino e espião a serviço do Rei Bridei. Entretanto, os desastres se sucedem no decorrer da empreitada, e no destino final, Ana descobre que os Bosques de Briar são um lugar cheio de segredos, uma conspiração de silêncios em torno de um prisioneiro mantido na mais austera reclusão.

Em O POÇO DA SOMBRAS, Juiliet Mairillier conta a história de FAOLAN, o assassino e espião do Rei Bridei que, desolado por um amor não correspondido, decide resgatar sua história e confrontar seu passado sombrio. Nesta viagem, inesperadamente torna-se responsável por uma criança, um cão e EILE, uma jovem perturbada por uma vida de violência, privações e labutas. Juntos, empreendem uma longa jornada, cercados de notícias perturbadoras, vindas do reino vizinho de Circinn, e que levam o Rei a convocar um conselho de guerra.


Li os três volumes de um fôlego só.
Nem sei como conseguia trabalhar no dia seguinte, porque as madrugadas eram curtas e a história, entre amor e guerras e magia, envolventes demais.
Fiquei "apaixonada" pelos personagens de Tuala e de Faolan, passava o dia todo relembrando pedaços da história. Uma delícia de texto!




E... gostou?
Então confira a trilogia FILHA DA FLORESTA, outra saga maravilhosa de Juliet Marillier.



segunda-feira, 14 de abril de 2014

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA - um dia de cada vez

Pobre blog, ficou jogado às traças!

Mas foi por uma boa causa: ontem terminou a temporada da ÓPERA SIDÉRIA, minha primeira produção/organização. Zilhões de detalhes prá verificar todo dia, fora o trabalho e a pós graduação que continuavam à toda.

E como valeu a pena!
Agora que terminou, olho nossas fotos da ÓPERA SIDÉRIA e fico tão feliz!
Dá até preguiça de retomar a vida "normal". E dá vontade de passar o dia inteiro agradecendo a cada pessoa que trabalhou comigo, pelo empenho, pela dedicação, pelos momentos de divertida amizade partilhada.


Mas quer saber, qual foi o MAIOR stress?
Ah, fácil! Foi o momento de expor as telas, fundo de cenário.
Porque, em tudo o mais, as responsabilidades eram, de certa forma, divididas com mais alguém. Na hora de cantar, estava no meio do coro. Para a produção, a Célia foi mais que parceira e amiga. Para o espetáculo propriamente dito, só nomes compententíssimos.

Mas a pintura, não.
Ali estava sozinha, colocando "a cara para bater".

Meu primeiro cenário...



Fernando Klug (diretor de cena) e Elaine Novaes Falco (já caracterizada para a cena)






Tela cenográfica de Elaine Novaes Falco

por Elaine Novaes Falco

Telas de fundo por Elaine Novaes Falco

Cena da prisão de ALCEU(Sidney Gomes) - telas cenográficas Elaine Novaes Falco







sábado, 8 de fevereiro de 2014

O ENIGMA DE ESPINOSA, de Irvin D. Yalow

Este é mais um livro para a minha série de "aprenda coisas novas, divertindo-se com uma excelente história de ficção".

Irvin D. Yalom é o mesmo autor de QUANDO NIETZSCHE CHOROU. Mas vou contar aqui no blog, só para quem me acompanha: inúmeras vezes passei por este "primeiro" livro do autor, exposto nas prateleiras da minha livraria predileta, e sempre pensava: "e eu lá quero saber quando foi que Nietzsche chorou?". E deixava o livro por lá mesmo. Mas depois de ler O ENIGMA DE ESPINOSA, não tem jeito. Já providenciei também o "primeiro" livro, porque simplesmente a-do-rei o jeito como Irvin Yalow escreve!

Até ler o livro de Yalow, sabia muito pouco sobre Espinosa.
E depois de ler o livro de Yalow, sei que se tivesse tentado entender esse filósofo, sem o precedente da ficção, provavelmente entenderia muito pouco!

Yalow explica, no prólogo, que pouco existe de informação sobre Espinosa. Até mesmo a conhecida pintura que o retrata, foi feito na imaginação do pintor, porque nem mesmo uma imagem, um desenho de suas feições, ficou registrado para a posteridade. Embora seus livros tenham mudado o mundo, e seja o precursor do Iluminismo, o fato é que foi excomungado pelos judeus aos 24 anos, e censurado pelos cristãos pelo resto de sua vida, por conceber "Deus" como uma unidade com a natureza. Para Espinosa, Deus significava tudo que acontece e todas as coisas deste mundo real e corpóreo, sem exceção.

Por anos, Yalow procurou uma forma de contar a história de Espinosa. Mas as lacunas eram tantas, que ele não encontrava um fio condutor. Até que, em uma visita ao museu Espinosa, soube que durante a II Guerra Mundial, um importante oficial nazista, de nome Rosenberg, havia comandado pessoalmente o saque da biblioteca, deixando uma anotação intrigante que ainda existe arquivada nos documentos oficiais do julgamento de Nuremberg. E partindo desta informação, Yalow resolveu seu problema.

O romance é construído em duas épocas distintas, contrapondo em ficção a vida de Espinosa lá nos 1600 d.C, com a vida de Rosenberg ascendendo no Partido Nazista da II Guerra Mundial. A ficção reflete os longos anos de pesquisa em psiquiatria do autor, com foco na provável vida interior de Espinosa e Rosenberg, permeando os poucos fatos conhecidos na biografia de ambos.

Assim escrito, o livro é fascinante. Na filosofia, assim como na psiquiatria, determinadas questões atravessam o tempo e permanecem idênticas. Porém, o contexto social se modifica, e com ele, também os valores sociais e/ou morais de cada época. Imagine, portanto, o que é a contraposição de uma supersticiosa Europa medieval seiscentista, contraposto (e assim, comparado) ao cruel idealismo nazista.

É um livro para ler devagar, refletindo. Não há como não parar para pensar, ou como evitar as associações e reflexões. Mas a leitura traz paz de espírito. Uma paz aventureira, a paz dos guerreiros.



ELFOS, de Bernhard Hennen & James Sullivan

Como diz o autor Bernhard Hennen, em "agradecimentos" no final do terceiro volume desta trilogia, "Não há outra criatura na história da fantasia que tenha inspirado autores a retratos tão diferentes quanto os elfos." Só posso concordar.
E como fico feliz, quando encontro um autor que tem, sobre um personagem mítico, visão parecida com a minha!

Li os três volumes numa "tacada" só... mas, confesso, com um pouco de "leitura dinâmica" em algumas das cenas de batalhas, já que eram muitas e se sucediam, ainda mais no terceiro volume. É um épico, sem dúvida (leio em português, tradução de Fernanda Romero, edição de 2012 da Editora Europa).

É um livro para ler com os olhos da fantasia, imaginando os portais, as trilhas entre mundos e a convivência entre humanos e personagens mitológicos a partir das vívidas descrições do texto. Um livro cheio de referências mágicas, cenários exuberantes, simbologias antigas e muita aventura.

O TOMO I - A CAÇADA DOS ELFOS, conta a história de um humano que, para defender sua tribo, enfrenta um demônio ancestral imaginando fosse apenas uma besta selvagem. Quase à morte, é salvo por uma árvore-com-alma, que o transporta e cura em um mundo paralelo, onde vivem os elfos. Cheio de suspeitas, o humano parte para encontrar-se com a Rainha dos Elfos, que preocupada com a descrição do monstro, designa seja formada uma Caçada dos Elfos para enfrentar o perigo. A perseguição começa, mas embora os heróis consigam matar o corpo habitado, o demônio ancestral encontra uma rota de fuga, e torna a renascer, ainda mais perigoso para humanos e elfos.

No TOMO II - AS ESTRELAS DOS ALBOS, impera a fantasia. Bibliotecas de pergaminhos, portais entre mundos e agrupamentos rebeldes vão surgindo, entre muitos perigos e algumas batalhas, na vida dos heróis. A barreira do tempo é quebrada, e junto com a aventura, os personagens também vivenciam as questões mais profundas sobre a morte, o renascimento, e das lembranças de vidas passadas. O autor faz, então, uma contraposição curiosa, porque todos os personagens mitológicos sabem que podem renascer, alguns conseguem acessar lembranças de vidas passadas, reencontrar e reconhecer amigos e amores. Apenas os humanos não tem destino conhecido após a morte, e isso serve de explicação aos albos, da razão pela qual os humanos vivem sua única vida, tão intensamente.

No TOMO III - AS PEDRAS DOS ALBOS, travam-se as batalhas finais... e... não, eu não vou contar o fim da história! Quem quiser saber, que leia.

E nem tem desculpa para deixar passar em branco, a aventura que já vendeu mais de 1.650.000 de livros na Europa!
Todos sabem que, na minha opinião, nada substitui o prazer de um livro nas mãos.
Gosto de pegar, mexer, virar páginas, marcar o que quero ler outra vez, depois guardar na estante prá ler de novo mais tarde.

Porém...

Descobri, neste início de ano, uma feliz parceria que distribui gratuitamente, on line para diversos suportes, excelentes títulos contemporâneos.
É a LÊ LIVROS, que também pode ser acessada pela página do facebook, o LÊ LIVROS (no facebook).

Melhor ainda: os três volumes desta saga, estão à disposição!
Confira em:

TOMO I - A CAÇADA DOS ELFOS


TOMO II AS ESTRELAS DOS ALBOS



TOMO III AS PEDRAS DOS ALBOS




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

JANE AUSTEN, A VAMPIRA, de Michel Thomas Ford

A orelha da contracapa informa que o autor, Michel Thomas Ford, escreve livros juvenis, além dos adultos, e por duas vezes ganhou prêmio de Melhor Livro de Humor. A síntese  biográfica faz jus ao livro, foi uma excelente escolha para um fim de férias chuvoso, últimos dias antes de retomar a rotina de mais um ano.

Depois de ler Bram Stoker ou Anne Rice (ou tantos outros autores que trabalharam com o tema dos vampiros), a Jane Austen de Michel Thomas Ford é de uma simplicidade surpreendente. Embora a leitura seja gostosa, fiquei um pouquinho decepcionada pela ausência de alguma reflexão filosófica, de um olhar do autor sobre ... sobre... sobre a imortalidade, que fosse, ou de alguma cena sugestivamente forte, cruel, chocante ou envolvente.

Não há nada disso em JANE AUSTEN, A VAMPIRA (leio em português, na tradução de Carlos Szlak, edição de 2010 da Editora Leya).

A Jane Austen da história, uma vez transformada em vampira, forjou sua necessária "morte" para o mundo humano e, consequentemente, não pode mais usar seu famoso nome artístico, tampouco receber os direitos autorais da obra sempre famosa. Acontece que, depois disso, teria escrito mais um romance (só um?), que passou os duzentos anos seguintes tentando publicar, com o(s) nome(s) com que agora se apresentava no mundo, que resultaram em mais de 180 cartas de rejeição...

Colocado desta forma, a história segue leve, e divertida. A Jane Vampira é dona de uma livraria, e surpreendentemente humana: come, dorme, não tem problemas com a luz do dia. Até parece que dormiu nos duzentos anos que já passou viva, já que suas lembranças parecem confinadas ao período em que foi "convertida" a vampira, e mesmo assim somente porque seu criador, outro importante nome da literatura inglesa, reaparece num personagem ambíguo que tanto é herói quanto vilão. No mais, é uma história contemporânea, com uma personagem perfeitamente adaptada aos novos tempos, inobstante seus mais de dois séculos de existência. E então, nas coincidências de uma história de ficção, Jane consegue seu primeiro contrato de edição em dois séculos, com direito a um marketing tão bem sucedido que o romance é catapultado ao primeiro lugar da lista dos mais lidos do New York Times na semana de seu lançamento. Tudo, claro, junto com outros vampiros "literários" e ciumentos, que saem de seus esconderijos, mais a descoberta do amor e de amizades.

O bacana deste livro, é que a leitura deixa uma vontade de conhecer as obras dos autores ingleses citados como "vampiros" no livro (Byron e as irmãs Brontë, além da própria Jane Austen). Sempre achei que ficção é uma forma maravilhosa de começar a aprender algo novo. Terminei o livro, imaginando como seriam outras histórias no mesmo formato... "Machado de Assis, o Vampiro", ou "José de Alencar, o Lobisomem", ou até mesmo "Monteiro Lobato e seu armário de Nárnia".






domingo, 12 de janeiro de 2014

PLANETA DUPLO, de Jack Vance

Fim de ano foi tempo de rastrear em sebos, volumes antigos de ficção científica, sempre impressionada com o número pequeno de títulos disponíveis (será que, agora, essa vertente é considerada simplesmente "fantasia"? É uma hipótese, porque não concebo que os escritores simplesmente tenham abandonado a tendência, justo agora que começamos a explorar novos planetas!)

PLANETA DUPLO, de Jack Vance, é mais um livro de ficção científica das décadas 70/90. (leio em português, traução de Mário Molina, na edição de 1979, coleção Mundos da Ficção Científica da Livraria Francisco Alves Editora).

Ainda que ambientado em planetas alienígenas, a história lembra bastante as epopéias celtas: povos diferentes que disputam um terrritório relativamente pequeno, sociedades que estão a meio caminho entre um feudo medieval e pequenas cidades, títulos honoríficos e o orgulho de classe.

A história é interessante, mas o estilo de escrita é confuso.
O texto tem várias notas de rodapé e um glossário ao final, para inserir detalhes sobre o mundo imaginário alienígena. Mesmo assim, na leitura, ficou mais fácil imaginar as planícies irlandesas do quê um planeta alienígena. Então... lá no escritório, temos o ditado que diz que o difícil é fazer, porque criticar o que está feito é sempre mais fácil. Neste limite, penso que as descrições do planeta e de suas excentricidades melhor estariam inclusas no próprio texto. E no mesmo raciocínio, como ainda estou lendo contos do mesmo período, pensei se o autor não se sentiu limitado para escrever uma história longa, quando o fazia dentro de uma tendência literária onde o usual são os contos relativamente curtos. Porque num texto sintético, a mistura com um pouco de épico, um tanto de fantasia e uma pitada de romance, deixou o texto q-u-a-s-e parecendo mais um roteiro do que um romance de ficção científica.

Mas, críticas à parte, a verdade é que li a história inteira, sem cansaço, e gostei o bastante para trazer até o blog em resenha. Um texto gostoso, um personagem principal orgulhoso, mas inteligente, daqueles que enfrenta os problemas que ele mesmo cria, fazendo seu próprio destino. É assim que encontra, quase que por acaso, o vilão da história. O resultado é uma trama curiosa, onde os personagens agem de acordo com interesses próprios, mas acabam representando o "bem versus o mal" pelo impacto que tais decisões possuem em detrimento "da população", ou seja, aquele todo indistinto de pessoas/personagens que apenas existem, quase pano de fundo, na história.




sábado, 11 de janeiro de 2014

AZAZEL, de Isaac Asimov

Foi a segunda vez que li o AZAZEL, de Isaac Asimov, num volume que me foi emprestado de um amigo (e, vergonha... ainda não devolvi!). Mas, talvez, seja porque não me conformo que Asimov não seja tão genial ao escrever humor, quanto na ficção científico. (Leio em português, tradução de Ronaldo Sérgio de Biasi, 2ª edição de 1991 da Editora Record).

AZAZEL é uma sequência de contos sobre um mesmo personagem. Em síntese, o próprio Asimov fez-se personagem, e como tal regularmente convida seu amigo George para jantarem em algum bom restaurante. Sempre tem que pagar a conta, o amigo jamais divide e ainda considera um desaforo a ideia de pagar pelo próprio consumo, mas o faz de bom grado em troca das boas histórias que o amigo confidencia após tomar um número regular de taças de vinho.

As histórias são sobre AZAZEL, um desastrado demônio de dois centímetros que apenas George consegue invocar. A pretexto de ajudar amigos, George usa tais poderes tentando tirar proveito pessoal, mas sempre termina em algum imprevisto desastre.

Assim, o livro reúne dezoito pequenos contos de humor, que mostram uma faceta diferente de Isaac Asimov, agora como escritor de fantasia. Mas o que me deixa curiosa, é que toda vez que leio as histórias, fico com a sensação de que Asimov está "desabafando", com alguma ironia, uma situação pessoal ou de um desafeto. Não encontrei informações para corroborar tal impressão, só a sensação da leitura, de que os personagens, de alguma forma, são todos baseados em pessoas ou em situações reais. Vai saber?



REALIDADES ADAPTADAS, de Philip K. Dick

Porque alguns autores alcançam notoriedade, enquanto outros são relegados ao esquecimento?

Ano passado (que pela primeira vez vi editado em português) encontrei num sebo que pouco frequento, quatro revistas antigas do Isaac Asimov Magazine (volumes 8, 9, 10 e 19). Comprei para ler aos poucos, contos e mais contos interessantes, a maioria de autores de que nunca tinha ouvido falar. Mais de uma vez, pensei... quanta gente já escreveu ficção científica! E quão pouco conheço! Com o ano chegando ao fim, encontrei o livro REALIDADES ADAPTADAS, contos de PHILIP K. DICK (leio em português, tradução de Ludimila Hashimoto, editado em 2012 pela Editora Alep Ltda, São Paulo).

O livro é quase uma homenagem ao autor, falecido em 1982, aos 52 anos, três meses antes do lançamento do primeiro filme baseado em sua obra. Que, aliás, era nada mais, nada menos, que Blade Runner, o Caçador de Andróides - um cult da minha juventude, um filme que adorei e assisti mais de uma vez -. Só isso já era suficiente para que levasse o livro para casa, mas não era só. A apresentação e comentários destacam que os contos de PHILIP K. DICK foram base de vários filmes intrigantes, todos de ficção científica, que assisti, gostei, fizeram pensar, citando entre os sucessos de bilheteria, O Vingador do Futuro (1990), Minority Report - A Nova Lei (20020), e O Vidente.

Porque assisti aos filmes, o livro ficou ainda mais interessante.
Porque são CONTOS, mesmo, assim como aqueles publicados na revista de Asimov, relativamente curtos, instigantes, provocadores, interessantes.

Cada um dos sete contos reunidos, vem precedido de uma breve referência sobre o filme que originou. E os filmes não foram (como estou acostumada a comparar) adaptações da literatura para a película. Fica muito fácil, depois de ler tais contos, entender a diferença entre ADAPTAÇÃO e ROTEIROS, este último no verdadeiro sentido do termo, ou seja, uma obra nova, uma criação a partir da ideia central do conto, com as modificações específicas para a linguagem do cinema.

Em REALIDADES ADAPTADAS estão reunidos sete contos que posteriormente foram base de populares filmes de ficção científica, a saber Lembramos para você a preço de atacado, publicado em 1966 (O Vingador do Futuro/Total Recall, primeira versão de 1990), Segunda Variedade, escrito em 1953 (Screamers, Assassinos Cibernéticos, filme homônimo lançado em 1995), Impostor, publicado em 1953 (filme homônimo lançado em 2001), O Relatório Minoritário, conto escrito em 1956 (Minority Report, A Nova Lei, filme lançado em 2002), O Pagamento, publicado em 1953 (Paycheck, filme lançado em 2003), O Homem Dourado publicado pela primeira vez em 1954 (O Vidente/Next, lançado em 2007), e Equipe de Ajuste, escrito em 1954 (Os Agentes do Destino/The Adjustment Bureau, filme de 2011).

O livro tem ainda um último, e curto, capítulo, reunindo notas explicativas do próprio autor. Estas notas haviam sido solicitadas, à época, pelos próprios editores, para serem incluídas nas coletâneas como uma visão do autor, sobre seu próprio texto, um costume nas edições da época.

De todos os contos, escolho como preferido  O Homem Dourado, 1954 (O Vidente/Next, filme de 2007). Amei a ideia do (lindo!) "homem dourado", o personagem central, que é um humano/mutante, em uma  história que questiona o próximo passo evolutivo da raça humana. Isso foi subtraído no filme, onde o personagem central é apenas um humano paranormal, um "vidente".

Fiquei feliz, portanto, ao terminar de ler os contos e descobrir que O Homem Dourado também era a história que recebeu mais comentários do autor. Fiquei sabendo, então, que John W. Campbell Jr, o editor de uma famosa revista de ficção científica, de nome Analog, só publicava contos onde os mutantes fossem seres bondosos, evoluídos e senhores da situação - como o são, por exemplo, todos os super-heróis com superpoderes, inventados por autores diversos no mesmo período. Os contos de DICK foram rejeitados por esta revista.

Assim, em suas notas, PHILIPH DICK faz uma reflexão, expondo as razões pelas quais discorda dos aspectos emocionais envolvidos no que chama de "poderosa fantasia". Entende, inversamente, que nós/humanidade tenderíamos a receber com estranheza e agressividade o surgimento de "mutantes", e que, a médio prazo, eles se tornariam essencialmente perigosos. Isso, porque o autor não vê lógica em supor que nossa humanidade "evoluída" pudesse ter real interesse em proteger, dirigir ou beneficiar uma versão tosca de sua própria evolução.